March 23, 2008

a mãe do kyle é uma vaca

Todas as temporadas e todos os episódios do South Park, na íntegra, sem comerciais, em boa qualidade, com cenas extras. E oficialmente. Bonito de se ver.

March 18, 2008

dramaturgia milton neves

Essa turma que produz a novela Duas Caras tá PEGANDO PESADO no merchandising. Não bastasse ter personagens importantes empregados pela rede de supermercados Extra, me aparece o Nuno Leal Maia fazendo compras no local. Digo: fazendo compras METODICAMENTE, avaliando qualidades de vidros de azeite e escolhendo um ovo de páscoa. Posicionamento de marca mais sutil que a crítica cinematográfica do baluarte da finesse, o Alborghetti.

March 15, 2008

a raiz de todo mal

Para minha surpresa, Lewis Black ganhou um programa de televisão: The Root of All Evil.

Lewis Black é a personificação da esquete Eu fico puto!, do Marcelo Mansfield, só que mais elaborado. O estilo… hmm, PUTO do Black é hilário, é a reclamação elevada ao status de arte humorística. Conhecia o cara de participações no Daily Show e de alguns especiais da HBO, em geral muito bons. Mas ver um comediante stand-up com um programa fixo é sempre temerário, já que, pelo que sei, parir 30 minutos de material cômico é mais difícil do que dar à luz um PredAlien.

A solução foi reduzir sua participação. Ele age como juiz que decide qual de duas personalidades ou instituições é mais maligna. No episódio de estréia, os réus eram Oprah e a Igreja Católica. Dois humoristas agem como advogados de acusação. É uma espécie de duelo indireto, já que cada comediante fala do próprio tema, sem dialogar com o outro. Black apenas preenche os espaços com tiradas curtas. Pouco revolucionário, mas engraçado, apesar do cara que acusa a Igreja construir mais da metade de suas punchlines em cima da palavra “boyfucking”.

September 30, 2007

salão oval

O vício reinante é West Wing. Como disse um amigo, devo ser a única pessoa com menos de 45 anos a assistir essa série sobre os bastidores do primeiro escalão da Casa Branca. É uma pena, pois a série tem tudo: atuações memoráveis, tensão, belos insights sobre as engrenagens da política (algumas peças devem ser iguais em todos os países), humor seco e diálogos tão bons que chego a ficar com dor de cabeça. Culpa do criador e principal roteirista, Aaron Sorkin, gênio da raça, o mesmo de Studio 60 on the Sunset Strip - outra ótima série, cancelada prematuramente.

O curioso de West Wing é que se trata de uma utopia de Sorkin: uma administração democrata com um presidente erudito, capaz e honesto; funcionários talentosos e bem-intencionados; uma mídia que, mais freqüentemente do que na realidade, faz perguntas pertinentes. Os erros, crises e escândalos - que acontecem em grande número - são verossímeis, mas nunca (ou até meados da 3ª temporada) deflagrados de má fé. Acho isso bom. Se houvesse traços de incompetência e corrupção nos personagens, imagino, a série seria insuportável. Real demais.

October 8, 2006

mancada

Um tanto difícil entender o motivo do cancelamento da série Freaks And Geeks (2000-2001) ainda na primeira temporada, após apenas 18 episódios. Muito se fala de Anos Incríveis, por exemplo, mas Freaks and Geeks é, fácil, a melhor série sobre adolescentes já produzida. Até quando eventualmente cede a moralismos é legal. Personagens maravilhosamente humanos.

Criação do Judd Apatow e com o Seth Rogen no elenco. Agora vou baixar Undeclared e prolongar a mágica.

August 12, 2006

caçadores de mitos

Links provavelmente pouco duráveis, mas vale indicar: 23 episódios (no Google Video) da série Penn & Teller: Bullshit!, em que a dupla ataca mitos e concepções comuns, como, por exemplo, de que reciclagem é uma boa idéia.

Divertido e, em seu melhor, esclarecedor. Basta ficar atento a eventuais manobras retóricas e factuais, à moda Michael Moore.

March 7, 2006

john locke é o cara


Nesta semana termina a primeira temporada de Lost na Globo. Tem sido divertido acompanhar a série e chafurdar nas incontáveis possibilidades no diz respeito aos mistérios da ilha e de seus personagens. Só me incomoda a dúvida sobre da capacidade de seus roteiristas de amarrar as cada vez mais numerosas pontas soltas.

Imagino que uma das razões dessa política de ferrenha sonegação de informação dos autores da série é a tentativa de alongamento da vida útil do programa. Quanto menos se descobre a cada episódio, mais deles podem ser produzidos; parece ser essa a lógica usada.

Tomara que essa política seja inteligentemente administrada. Acho saudáveis as fartas doses de bizarrice e mistério da série até agora, mas espero que JJ Abrams e turminha tenham em mente que esse tipo de abordagem cansa muito rápido. O masoquismo do público tem limite. Além do mais, informação a conta-gotas é técnica um tanto barata. Funciona muito bem no início, talvez durante as duas primeiras temporadas, mas deveria mudar depois. Aí está o grande desafio dos roteiristas: depois de preparar o terreno, acelerar o ritmo progressivamente. Minha principal referência é 24 Horas (meu seriado favorito), em que a regra é que cada episódio seja mais intenso que o anterior.

Também há outras questões. O uso de flashbacks em cada capítulo tende a cansar. Além disso, deve chegar um ponto em que não seja mais possível extrair flashbacks decentes dos personagens.

Minha idéia de futuro para o seriado envolve o abandono de flashbacks, a mudança de foco - de mistério para ação, drama e thriller - e o amadurecimento dos sobreviventes. Gostaria de vê-los organizando-se mais seriamente, com todas as implicações sociais e hierárquicas que podem surgir nesse tipo de situação.

Opa, vai começar o episódio de hoje. Vou ver se o Locke se salva de um balaço na cara.

February 17, 2006

i don’t give shitty jobs


Outra dica de seriado: a versão original, inglesa, de The Office. Não vi nada do remake americano, mas duvido que seja melhor.

Foi lançado em 2001, teve duas temporadas de seis episódios cada e mais um especial de natal em duas partes. Feito como um pseudo-documentário, o seriado mostra o dia a dia dos funcionários do escritório de uma empresa inglesa.

Não bastasse o ambiente e os tipos serem perfeitamente reconhecíveis para qualquer um que já tenha trabalhado, o seriado ainda conta com um dos melhores personagens cômicos já criados: David Brent, o chefe do escritório. A interpretação de Ricky Gervais (também o autor e diretor) é assombrosa e inclemente. Brent é uma força da natureza nos quesitos mau gosto, egocentrismo, covardia e sede por atenção. E, mesmo assim, perfeitamente adorável.

The Office surpreende por não lembrar quase nunca uma sitcom. Humor sutil, que oscila entre o hilário, o patético e o deprimente com uma facilidade assustadora.

February 8, 2006

it’s ok, i’ve already sent an e-mail

The IT Crowd

Faça a si mesmo um favor: coloque seu bittorrent pra funcionar e baixe os dois três quatro primeiros episódios da sitcom inglesa The IT Crowd. Deve ser a primeira série cômica sobre o universo geek. Ao lado de Freaks and Geeks (valeu, Guilherme), a série é das primeiras a tratar do universo geek. Fonte INFINITA de piadas.

February 6, 2006

perdido, enfim

Depois de visto os dois primeiros episódios de Lost ontem, na Globo, finalmente posso (começar a ) entender todo o hype em torno da série.

Realmente, Lost é foda.

O grande lance do J.J. Abrams foi tomar o conhecido tema da ilha deserta e impor um ritmo de thriller. Aparentemente todos os personagens têm um ou mais segredos espúrios escondidos na manga, o que garante confortável margem de segurança para os roteiristas. O problema de convivência entre os personagens é outra tática conhecida utilizada logo de cara. Mas o mais interessante, por enquanto, é o potencial de terror e bizarrice que as ameaças da ilha podem oferecer. Claro, espero que não sejam dinossauros.

September 13, 2005

novela da vida real

Teste de Fidelidade

Nada supera o Teste de Fidelidade. João Kléber é o maior gênio da televisão atualmente. Não é à toa que está exportando sua fórmula de sucesso. Deve ser a coisa mais divertida do mundo trabalhar como produtor ou roteirista do seu programa.

Enquanto escrevo, a noiva 19 anos mais nova que o desconfiado noivo está trancada no banheiro da Rede TV! com vergonha por ter sido flagrada dando uns malhos com Oliver, maior ator brasileiro vivo depois do Paulo César Pereio. O noivo esmurra a porta e passa mal.

Antes da imagens do teste, Joao Kléber passava um clipe do GEORGE MICHAEL em dueto com o ELTON JOHN como se os cantores estivessem AO VIVO NO PALCO.

As legendas são 100% honestas: “AS IMAGENS QUE VÃO SER EXIBIDAS AQUI VÃO DEIXAR VOCÊ PARALIZADO”.

Soft porn fake apresentado por um humorista fracassado: não consigo conceber melhor metáfora para o país.