January 17, 2009

uma análise crítica da tv no metrô

Há algum tempo há televisores dentro dos vagões do metrô de São Paulo. São vários monitores LCD por trem, ligados o tempo todo, sincronizados na propagação muda do conteúdo da “TV Minuto” (ainda não possuem site). Numa notícia-release publicada em dezembro de 2007 no portal do Governo de SP, afirma-se que ela “informa, educa, diverte e entretém”.

Ora, permitam-me discordar, item por item.

1. “Informa”: Seria, creio, a função básica de um veículo como esse. Incrível como falham miseravelmente. Há notícias, mas geralmentes atrasadas, incompletas ou desatualizadas. Em alguns momentos, simplesmente falaciosas. Um exemplo: estudo divulgado pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica afirma que 95% das músicas baixadas pela internet são ilegais. A “TV Minuto” optou por retirar a origem da afirmação e tascou: “95% das músicas baixadas na internet são ilegais” (cito de memória, mas era próximo disso). Sem a fonte da estatística, cria-se uma perspectiva enganosa. É pura desinformação. Não há desculpas para isso. Não há falta de espaço - alguns caracteres a mais resolveriam a situação; poderiam até montar a notícia em 2 frames, já que as famigeradas “dicas de saúde” geralmente tomam 3. Também não é aceitável argumentar que é da natureza do veículo ser breve e superficial. Todo veículo pretensamente jornalístico, qualquer que seja sua linha editorial, tem responsabilidade de informar corretamente.

2. “Educa”: As únicas mensagens realmente úteis que vi dizem respeito a instruções de uso do metrô e de suas instalações. As “dicas de saúde” oscilam entre a obviedade e, claro, a superficialidade incompleta do veículo. Além do mais, qualquer veículo com intenções educativas merece o fracasso.

3. “Diverte”: Apego-me ao significado “fazer esquecer, distrair a atenção” do verbo. Para os que consideram propaganda uma fonte de diversão, a “TV Minuto”, nesse ponto, alcança êxito. Até porque as propagandas não são feitas por eles e, em sua maioria, possuem muito mais poder de síntese e de transmissão de mensagem do que as notícias preparadas pela “TV Minuto”, que acha graça em noticiar o lançamento de um produto “curioso” sem se dar ao trabalho de dizer ao menos o nome do fabricante.

4. “Entretém”: Nesse ponto a “TV Minuto” se sai muito bem. Lembro-me como se fosse hoje da vez em que um velho num terno puído entusiasmou-se com a propaganda de uma peça de teatro veiculada no monitor. Sentava-me ao lado dele. Cutucou-me e disse que por 20 anos trabalhara como ator e, por coincidência, havia interpretado o personagem principal daquela mesma peça de um conhecido autor canadense. Eu, de fones de ouvido pendurado nas orelhas, ouvi a história simulando atenção. Na tela, surge uma imagem do elenco. O velho cerra os punhos e abre a boca, como se gritasse. Apontando para o monitor, sussurra, sem ar: “sou eu nessa foto!”. Olho para a tela e vejo o rosto rejuvenescido do velho na expressão do ator. “SOU EU”, o velho grita. As portas se abrem na estação Brás e o velho corre para fora do trem, corre na direção contrária da entrada dos passageiros, entre empurrões e cotoveladas, posta-se na beira da mureta da plataforma e se atira, de braços abertos em direção ao solo da praça do Largo da Concórdia. Esse fato entreteu-me bastante, graças à “TV Minuto”.

De modo geral, preferiria vagões com o mínimo possível de poluição visual. Às vezes, inadvertidamente, me pego observando os monitores de LCD e seu carrossel de imagens. Minha mente vaga; meus olhos focam-se no vazio. O apito da porta automática me traz de volta à realidade.

April 13, 2008

o infinito para consumo

Manja o pote do fermento em pó Royal, com o desenho da embalagem se repetindo na própria embalagem? Esse efeito, quem diria, tem nome - efeito Droste - e, embora não exatamente comum, se repete bastante por aí. Quer dizer, o Pink Floyd já fez, então dá pra ter uma idéia. (via waxy.org)

April 12, 2008

subliminar

Essa eu não sabia: o Aphex Twin colocou algumas imagens ocultas nos espectrográficos de músicas dele.

Atualização: Rafael Capanema informa que “essa é mais velha que aquele GIF DO BEBEZINHO 3D DANÇANDO”.

April 10, 2008

brasil paleoproterozóico

Depois do Counter Strike, proíbem o Bully. Juntando isso com as insanas restrições em relação a campanhas eleitorais na internet e chegamos à conclusão de que a Justiça brasileira se recusa a entrar no século XXI. A campanha digital é mais barata que a impressão de santinhos, a colagem de cartazes e a produção de vídeos para a televisão. Ou seja: mais democrática, já que o acesso é mais amplo.

A justificativa oferecida é simples: como a legislação não prevê essas modalidades de campanha, logo estão proibidas. Preguiça ou incompetência?

Sobre os jogos, então, não tem nem como comentar. Pura indigência mental.

April 6, 2008

buraco negro, nosso nêmesis

Sabe os aceleradores de partículas? Mais especificamente, o Large Hadron Collider, em Genebra, na Suíça, o maior de todos, com 27 quilômetros de extensão? Pois então: há físicos preocupados que seu funcionamento, marcado para o meio do ano, pode eventualmente criar um buraco negro que sugaria a Terra e aniquilaria toda a existência. Boa oportunidade para contrair dívidas de longo prazo.

April 2, 2008

não

Aparentemente, o auto-pioramento pode se tornar uma tendência interessante.

March 19, 2008

cortejo à onipotência

Isso é tão revolucionário, maluco, improvável e extraordinário que, ao mesmo tempo em que babo de vontade de experimentar pessoalmente, também desejo com ardor que seja um muitíssimo bem feito boato digital, tamanha a desconcertação.

Como resumiu o Alexandre Matias, é o photoshop do som. Vejam o vídeo:


A julgar pela amostra, não haveria mais limites para a manipulação sonora. Seria o esvaziamento total da performance? Ou justamente o contrário? Tendo a apostar na segunda hipótese.

Imaginem: se até hoje somos iludidos facilmente por manipulações visuais razoavelmente bem-feitas, a nanomanipulação sonora (ou sei lá que termo usar pra isso; supermanipulação?), totalmente inédita nesses termos, seria praticamente indistingüível da coisa real (real onde mais?). Como identificar o que não é manipulado, ou é manipulado em níveis “normais”, do que é ajustado com o Melodyne? (Meu deus, olhem esse nome. Sci-Fi pura, sem gelo)

E qual o papel do instrumento musical? Um periférico qualquer? Mero meio de input grosseiro? Se unirmos o sampling, o sintetizador, o emulador e o Melodyne, caixinha de fósforo pode virar bateria eletrônica…

Ao mesmo tempo, a performance ao vivo pode ganhar mais importância cultural. De cara relembro o conceito de aura dos alemães da Escola de Frankfurt, de como esse senso de importância e relevância que emana da obra artística (que supostamente se esvaiu na “era da reproductibilidade técnica”) retorna com violência na era da simulação e da manipulação digital. Seria o tira-teima, a manifestação “honesta”, sem filtros. É de se perguntar o valor que conferiremos a essas coisas no futuro próximo, ou mesmo que conferimos hoje, mas o impacto dessa performance da música sem mediação ainda está pra ser visto.

Isso sem contar no impacto criativo. Se com mash-ups a coisa já atinge misturas incríveis, com esse programa o limite é infinito. Mais do que misturas, imaginem releituras de músicas conhecidas. Joy Division todo em acordes maiores, alegres e ensolarados. O desafio de fazer a banda A fazer um cover da banda B com suas próprias músicas. É tanta possibilidade, desde as mais imbecis às mais sofisticadas, que não vale a pena gastar todos os neurônios de uma só vez. Ao que parece, gastaremos todos juntos.

Isso se não for o vaporware mais sensacional já pseudofabricado.

Vou lá deitar pra ver se passa a dor de cabeça.

January 10, 2008

dando uma chance às mulheres

“At first, I thought it was bad that she cried, but then I thought she is a woman, give her a chance,” said Diane Fischel, a tailor and a grandmother, who cited the emotional display for deciding to vote for Mrs. Clinton in the Democratic primary instead of for Senator John McCain on the Republican side.

Clinton’s Message, and Moment, Won the Day (NYT)

March 26, 2006

silêncio nunca mais

“NASA researchers can hear what you’re saying, even when you don’t make a sound.” (Via Metafilter)

March 4, 2006

templo

Ontem prestei uma visita a um dos terrenos sagrados da burocracia: o Poupatempo da Luz. Confesso que fiquei emocionado. Na entrada, um balcão de informações circular, com duas funcionárias e pilhas e pilhas de folhetos com informações sobre procedimentos e a documentação necessária para sua execução. À frente, um amplo balcão de triagem, com quatro filas diferentes. À direita, um guichê para retirada de documentos. À esquerda, a glória: duas longuíssimas fileiras de bancos, com quase todos os lugares preenchidos com gente de fé, agarrando-se aos seus bilhetes impressos com senhas de um caractere e quatro dígitos (229.977 combinações possíveis). Três painéis cor laranja e três cor verde comunicam alegremente o código da redenção, que guia as almas atormentadas a uma das cerca de 50 mesas onde atendentes uniformizados ouvem suas queixas e prescrevem a salvação.

Não pretendo voltar.

February 11, 2006

37.000 Kbps

Lesmas são mais rápidas do que sua banda larga.

February 3, 2006

WTF

Lee Tamahori, diretor de cinema e travesti

LOS ANGELES, 2 fev (AFP) - O diretor de cinema neozelandês Lee Tamahori, 55, foi detido em 8 de janeiro, quando, vestido de travesti em Hollywood, ofereceu serviços sexuais a um agente policial à paisana, informou a polícia na quinta-feira.

“O senhor Tamahori foi preso por incitação à prostituição. Posso confirmar que estava vestido com roupa de mulher, quando foi detido”, disse o oficial Jason Lee, do Departamento de Polícia de Los Angeles.

Foto fornecida por Guilherme Gaspar

January 27, 2006

dev2.o

Devo para crianças. Ou melhor: o Devo decide regravar seus clássicos e adicionar vocais infantis (ou nem tanto). E a idéia é atingir justamente o público infantil.

Bom, se eu tivesse filhos, preferiria que eles ouvissem crianças cantando Devo do que qualquer coisa da Eliana.

December 15, 2005

primeiro mundo

Na Inglaterra, uma rede de bancos resolve de forma simples o problema das reclamações dos clientes pela espera nas filas: tirando os relógios das paredes das agências.

Mas a explicação oficial é que, depois de pesquisa, descobriram que os clientes acham que relógios não “aprimoram a experiência bancária”.

(Via BoingBoing)

October 30, 2005

loverbots

Fuckzilla, Orgasmo e Hide-a-Cock são os nomes de algumas engenhocas projetadas para sexo. Com certeza, embriões dos robôs-amantes vistos em A.I.

October 28, 2005

meia lua + soco forte

Empresa japonesa afirma ter criado controle remoto de humanos.

Lágrimas.