July 7, 2009

táxi negro

Muito boa a ideia das Black Cab Sessions: colocar músicos para tocar dentro de um táxi, circular por Londres, gravar tudo. Apresentações acústicas muito boas, em sua maioria. Como a do Ryan Adams com o Neal Casal, por exemplo. Tem ainda Calexico, Walkmen, Grizzly Bear, Spoon, Fleet Foxes, BRIAN WILSON. Bem foda.

July 5, 2009

contraste

Fuçando entre vídeos antigos do Who, inevitavelmente topo com aqueles gravados após 1978, ano da morte de seu baterista, Keith Moon. No lugar, foi escalado Kenney Jones, ex-Faces (banda de Rod Stewart e de Ron Wood). A força do contraste torna melancólico assistir a esses vídeos.

O trabalho de Jones foi difícil demais: substituir o maior baterista da história do rock - ou segundo maior, caso o leitor seja partidário de John Bonham. E o mais carismático, louco e anárquico também. Não havia vitória possível.

Não houve, realmente. Jones é lembrado, se tanto, como um elemento que prolongou a existência da banda numa época difícil, apresentando-se de forma digna. E só. Logo ele, um baterista de grande técnica e força, de precisão quase metronômica; total oposto de Moon nesse último quesito. O cara é, e já era então, um puta baterista. À sombra de Moon, porém, ele não deixou marca ou legado na banda, que integrou por alguns poucos anos. Essas coisas acontecem.

July 4, 2009

springsteen


Ouço cada vez mais a Bruce Springsteen. Há grande chance de não fazer apenas pela música em si. É um tipo de rock expansivo, entusiasmado e com grandes ganchos pop; serve tanto a um bar esfumaçado quanto a uma arena cheia de gente aos berros. A E Street Band sem dúvida soa confortável nos dois contextos. É grande música. Mas não é tudo.

O que me atrai mais, começo a constatar, é a ausência total de cinismo em Springsteen. Nem em letras e arranjos nem em performance. Até os exageros emocionais parecem genuínos. Não há notas falsas no discurso blue collar dele, em suas histórias de pobreza material e grandeza moral, em seus relatos de amor entre pessoas machucadas pela vida. É um grande contador de histórias.

A forte identidade americana não me afasta (geralmente não afasta mesmo), Springsteen faz bem mais que filtrar a mentalidade do país em forma de música. Ouço “Thunder Road” cada vez mais transtornado pelas imagens dessa canção. Está tudo lá: amor perdido, medo, coragem, fragilidade, entrega, assombro. Fico emocionado de verdade.

Posso estar chafurdando numa visão melodramática de mundo, mas vejo cada vez menos espaço para esse tipo de enternecimento. Algo mais do que a lágrima socialmente aceita quando induzida por comédias românticas. Pouca coisa além disso, o cinismo geral rotula cafona, brega, ingênuo.

A música de Springsteen é imune a esse ataque. É direta e honesta. E emocional sem abdicar da razão (nunca; quem me conhece sabe minha ênfase nisso). É, em resumo, uma boa forma de encarar a vida. Algo como o clipe de “Dancing in the Dark“.

Abaixo, fiz uma playlist só de pérolas. Apreciem.


October 25, 2008

animais senis

O show do Melvins em SP foi há mais de um mês, mas deixou memorável cicatriz. Se liguem neste vídeo que o camarada Kazu fez.



Melvins - The Kicking Machine - SP from Thiago Kazu on Vimeo.

Música do disco mais recente, Nude With Boots, coisa fina, violenta, indelicada e insuperável.

April 29, 2008

sola do sapato do elvis

Depois de ler o Mate-me, Por Favor, livro-reportagem-depoimento sobre o surgimento do punk, de Velvet Underground e Stooges a Sex Pistols, fica a dúvida: entre tantas drogas, onde ficava a música? É um puta livro, mas fica a impressão de que as pessoas apenas subiam no palco e faziam barulho. Tá certo que ler sobre Sid Vicious injetando heroína misturada com água de privada é morbidamente interessante, mas não é possível que só existisse destruição e auto-destruição. Os caras construiram obras, de uma forma ou outra. Ou será que Iggy Pop era “deus” apenas porque rolava sobre cacos de vidro?

April 22, 2008

your phony rock ‘n’ roll

Como venho enfatizando ocasionalmente, os anos 1980 foram até bem legais em termos de música. Claro que as atrocidades perduram mais tempo e causam mais discussão, mas as maravilhas continuam lá: Minutemen, Hüsker Dü, Mission of Burma, Black Flag, Bad Brains, Minor Threat, o insuperável começo de carreira do Metallica, Smiths, o Guns ‘n Roses e seu sensacional disco de estréia. E muitos outros até, que esqueço.

Mas uma banda especial era o Replacements.



The Replacements - Bastards of Young

Pena que há pouca coisa deles espalhada no You Tube. Merecia mais registros. Uma grande banda de rock, com um líder carismático e algumas das composições mais honestas e emocionantes de toda a década, como Hold My Life, Bastards of Young, Seen Your Video, Kiss Me on the Bus e muitas outras.

April 15, 2008

revisão de conceitos

Os Beatles não fizeram tudo que havia para ser feito no rock. Isso seria impraticável em termos quantitativos. Eles esgotaram, sim, as formas de reformular e recombinar o rock, seja consigo mesmo ou com outros gêneros. Ou seja: ainda podem surgir novidades, mas nenhuma que os Beatles não tenham antecipado.

April 12, 2008

subliminar

Essa eu não sabia: o Aphex Twin colocou algumas imagens ocultas nos espectrográficos de músicas dele.

Atualização: Rafael Capanema informa que “essa é mais velha que aquele GIF DO BEBEZINHO 3D DANÇANDO”.

coesão


Por falar em Minutemen, um bom ponto de partida pra quem quer conhecer a banda é o ótimo documentário We Jam Econo - The Story of The Minutemen. Recomendo, até porque é minha banda-fetiche do momento. Os caras não só eram músicos muito acima da média, especialmente para o cenário punk-hardcore americano dos anos 80, como tinham uma postura política e estética muito pessoal.

O guitarrista, D. Boon, veio com a idéia de igualdade no som da banda e a resolveu de forma inteligente: quase nunca usava distorção ou power chords e tirava os graves e os médios da guitarra, deixando espaço livre para o baixo de Mike Watt. Cabia ao MONSTRO George Hurley costurar tudo com a bateria. O resultado era uma mistura inclassificável de punk, jazz e funk aplicada em doses ultraconcentradas - as músicas raramente passavam de 2 minutos.

O melhor exemplo é o álbum duplo Double Nickels on the Dime, clássico absoluto, com 45 faixas. Para eles, o que interessava era a essência das músicas e o fluir delas no disco. Impressionismo punk da melhor qualidade. E muito bem tocado. E criativo pra diabo.

April 9, 2008

a glória do homem


Minutemen em ação com The Glory of Men, clássico de Double Nickels on the Dime. Esse D. Boon realmente era o cara.

April 8, 2008

auto-promoção

Se a busca pela originalidade musical fosse uma longa corrida de obstáculos, o Dillinger Escape Plan estaria ligeiramente à frente, apesar de haver trombado em todas as hastes ao longo do caminho e invadido as pistas alheias, sem cerimônias e pudores. A viagem desse quinteto americano aparentemente é invadir, saquear e estuprar gêneros, incorporando tudo a uma agenda sonora própria e pessoal - o mathcore/metalcore/grindcore com incursões breves e convolutas sobre áreas diversas como o pop, o jazz e a música eletrônica, sempre com sucesso e, diabos, certa classe peculiar. Por essa verve expansionista, tal qual um Império Romano dos riffs e da quebradeira, são considerados o futuro do metal.

Trecho de resenha para o Banana Mecânica sobre o último do Dillinger Escape Plan, Ire Works. Tem mais coisa minha lá também, nos arquivos: Danielson, Gram, Lenine, Mastodon, The Shins, Wilco, Lobão, Elliott Smith e Ecos Falsos. Mas vale uma boa olhada em tudo mais, há muitas boas indicações ali.

April 6, 2008

one man guy

A turnê do Rufus Wainwright no Brasil ganhou site. Simpático, inclusive o esclarecimento de que se trata de uma “solo performance”. Confesso que não me atrai tanto, já que preferia a apresentação completa, com banda, mas pelo menos não está o olho da cara.

April 2, 2008

contribuição marginal

Como seriado, Heroes não presta. Atuações inconsistentes, trama mal surrupiada de Watchmen, falta de noção de clímax. Mas a trilha, ah, a trilha: chega a redimir o programa quase completamente ao trazer um belíssimo lado B do Wilco, Glad It’s Over (download).

March 29, 2008

sociedade de apreciação de nick cave


Cave crooner lúgubre ou Cave roqueiro, o homem sabe o que faz. Muito bom esse Dig, Lazarus, Dig!!!, disco lançado esse mês. E excelente o bigode ostentado no clipe, mais um daqueles em que Cave canta olhando para a câmera (1, 2, 3).

March 22, 2008

seis cordas

Resolvi trocar de violão.

Como boa parte das verdadeiras decisões na vida, é emocional e não envolve cálculos. Pelo menos não cálculos que relacionem a decisão a outras áreas da vida (o dinheiro vai fazer falta? não há coisas mais importantes com que gastar dinheiro? etc), mas apenas avaliações internas da questão: qual modelo, qual formato, qual tamanho.

O importante é fazê-lo. Depois de muito tempo, constatei: o violão é o objeto ao qual dou mais importância e me relaciono. Mais do que o computador, o tocador de música ou o relógio de pulso. Passo bem sem qualquer dessas coisas por muito tempo sem dar pela falta delas. Quando viajo, esqueço o e-mail ou a internet; a música pode vir de várias fontes, inclusive da simples memória; o tempo se impõe naturalmente. Mas o violão é insubstituível. Quando não posso levá-lo, faz falta. É em grande parte o ato físico de empunhá-lo, atingir as cordas, fazer emanar som. Mas também é o ato de afeto, de parceria e de extrema fragilidade que existe na relação entre o tocador e o violão. A mesma fragilidade que mantém a tensão e o fascínio pela figura do trovador - um solitário e seu violão contra o mundo.

A parte menos romântica da história é que também é preciso seguir em frente. Junto com a constatação da importância do instrumento, veio a segunda: preciso de um MELHOR.

O meu Condor CS22, coitado, sempre foi simplório. Como eu continuo sendo, músico amador de técnica limitada e sem repertório. Mas alguém tem que seguir em frente. Há tantos violões por se tocar.

A busca agora é pelo exemplar exato. Tudo importa: o peso, a cor, o cheiro, a textura da madeira contra a pele, a concavidade do braço, o timbre, o volume do som. Todos são diferentes entre si - esse audioslide do NYT sobre a fábrica da Martin é um exemplo perfeito do tipo de magia que um bom violão pode exercer. Aliás, o Martin HD-28 é o sonho de consumo, a 3.300 dólares.

A caça começa em abril.

March 19, 2008

cortejo à onipotência

Isso é tão revolucionário, maluco, improvável e extraordinário que, ao mesmo tempo em que babo de vontade de experimentar pessoalmente, também desejo com ardor que seja um muitíssimo bem feito boato digital, tamanha a desconcertação.

Como resumiu o Alexandre Matias, é o photoshop do som. Vejam o vídeo:


A julgar pela amostra, não haveria mais limites para a manipulação sonora. Seria o esvaziamento total da performance? Ou justamente o contrário? Tendo a apostar na segunda hipótese.

Imaginem: se até hoje somos iludidos facilmente por manipulações visuais razoavelmente bem-feitas, a nanomanipulação sonora (ou sei lá que termo usar pra isso; supermanipulação?), totalmente inédita nesses termos, seria praticamente indistingüível da coisa real (real onde mais?). Como identificar o que não é manipulado, ou é manipulado em níveis “normais”, do que é ajustado com o Melodyne? (Meu deus, olhem esse nome. Sci-Fi pura, sem gelo)

E qual o papel do instrumento musical? Um periférico qualquer? Mero meio de input grosseiro? Se unirmos o sampling, o sintetizador, o emulador e o Melodyne, caixinha de fósforo pode virar bateria eletrônica…

Ao mesmo tempo, a performance ao vivo pode ganhar mais importância cultural. De cara relembro o conceito de aura dos alemães da Escola de Frankfurt, de como esse senso de importância e relevância que emana da obra artística (que supostamente se esvaiu na “era da reproductibilidade técnica”) retorna com violência na era da simulação e da manipulação digital. Seria o tira-teima, a manifestação “honesta”, sem filtros. É de se perguntar o valor que conferiremos a essas coisas no futuro próximo, ou mesmo que conferimos hoje, mas o impacto dessa performance da música sem mediação ainda está pra ser visto.

Isso sem contar no impacto criativo. Se com mash-ups a coisa já atinge misturas incríveis, com esse programa o limite é infinito. Mais do que misturas, imaginem releituras de músicas conhecidas. Joy Division todo em acordes maiores, alegres e ensolarados. O desafio de fazer a banda A fazer um cover da banda B com suas próprias músicas. É tanta possibilidade, desde as mais imbecis às mais sofisticadas, que não vale a pena gastar todos os neurônios de uma só vez. Ao que parece, gastaremos todos juntos.

Isso se não for o vaporware mais sensacional já pseudofabricado.

Vou lá deitar pra ver se passa a dor de cabeça.

March 16, 2008

anders parker

Outra boa descoberta dos últimos dias: Anders Parker. Entrem no MySpace do cara e ouçam Tell it to the Dust, um refrão bonito de doer. O disco homônimo, de 2004, também vale a pena.

March 14, 2008

no escuro do meu quarto, à meia-noite

Hoje, sou exatamente o que sonhei ser. Envelhecer, pra mim, é um objetivo, e eu juro pelo que há de mais sagrado que eu vou conseguir, e já estou conseguindo. Deus me livre de ficar eternamente jovem, e prefiro mil vezes ser bem esquecido do que mal lembrado.

Texto de 2006 do Guilherme Arantes - um dos mestres do pop brasileiro, há alguns anos meio deixado de canto, infelizmente - refletindo sobre a carreira e suas escolhas (e acasos) na vida. Dica do camarada Sttevam.

March 11, 2008

neal casal para presidente, obama para vice


Neal Casal, sintoma positivo do século XXI

Rompendo com o pessimismo e amargura habituais no que se refere à avaliação da vida como a vivemos hoje - trânsito, armas de destruição em massa portáteis e o fim dos aperfeiçoamentos estruturais do forno microondas -, até que não estamos mal. Veja, é uma avaliação possivelmente comprometida por algum entusiasmo benigno passageiro, mas não deixa de ter alguma validade. Não estamos mal: o Palmeiras finalmente tem não apenas um, mas dois meias-armadores; tornou-se razoavelmente seguro andar pelas ruas com um CD Player portátil (ninguém quer roubar um desses mais); uma novela que mistura mutantes, vampiros, Malhação, Lost e Senhor das Moscas consegue manter-se no ar, gerar seu desdobramento em uma temporada adicional, abalar a liderança de audiência na Globo e prover material para piadas irresistivelmente idiotas, tudo ao mesmo tempo. Citei apenas uma amostra de sinais positivos, aleatoriamente.

E tem o Neal Casal.

Músico obscuro mesmo em seu país de origem, é mais conhecido por tocar guitarra na banda de apoio do Ryan Adams, o Cardinals. É o Richie Sambora do Ryan Adams, numa comparação propositalmente babaca. A diferença é que, por acaso, o Neal Casal é melhor músico e compositor que o Ryan Adams. E lança discos mais consistentes. E parece prescindir de uma fama de bad boy desbocado para justificar sua presença no mundo.

Tomemos seu disco de 2006, por exemplo, No Wish To Reminisce (download). É o equivalente masculino a The Forgotten Arm, da Aimee Mann, de 2005: disco alt-country/folk/rock/pop perfeito, timbragem quente, letras simples, refrões de derreter os glóbulos vermelhos nas artérias. Do tipo que se tornaria fóssil numa prateleira, mas circula silenciosamente pela internet, como um boato implausível.

Não diga que uma época que permite esse tipo de achado não tem algo de irreparavelmente bom.

January 6, 2008

jeans rock

MagicPensei que nunca ia dizer isso, mas esse último disco do Springsteen, Magic, é sensacional. Na minha cabeça, entra na mesma categoria de rock de arena do U2, mas sem o The Edge enchendo nossa cabeça com harmônicos encharcados em delay e reverb. Fora que respeito qualquer um que empunhe uma Telecaster.

Em contraponto, o camarada Hieronymous T. Poopsnatch faz uma análise mais ponderada em sua resenha no RateYourMusic:

A return to form….or formula, however you want to put it, depending on your relative affinity for cheesy, phony, overemotive vocals, canned arrangements, production that’s engineered within an inch of its life, and lyrics that crossed the line of self-parody long ago, then stepped back and took a shit on it.

December 24, 2007

a título de síntese

No Banana Mecânica, site de música que ajudo a editar, fizemos uma modesta lista com os cinco melhores álbuns nacionais do ano. Claro, melhores dentro da cena que cobrimos - música alternativa (não lembro mais a que…), independente, “independente”, dependente mas gente fina etc.

A lista foi quase idêntica à minha própria, que só substitui Lucy and the Popsonics por Menino Canta Menina, do Instiga, de Campinas. E com menção honrosa para o Los Porongas, banda do Acre.

Pessoalmente, fiquei bastante satisfeito com a safra de bons discos desse ano. Muitas boas estréias, coisas promissoras surgindo. Ano que vem o ritmo deve se manter, com o primeiro do Bazar Pamplona (citação patrocinada pelo Rafael Capanema), o novo do Numismata (vi algumas novas músicas no show, são sensacionais) e, com sorte, um retorno dos Abimonistas.

Na pilha dos álbuns internacionais, não me preocupei em acompanhar os lançamentos, só os artistas queridos de sempre. O Sky Blue Sky, do Wilco, foi o preferido do ano por motivos puramente afetivos. É a melhor banda do mundo e o disco é praticamente perfeito. Gostei bastante do Wincing the Night Away, do Shins, apesar de ainda preferir o Oh, Inverted World. New Moon, do Elliott Smith, foi uma das grandes surpresas - um disco póstumo de sobras de estúdio que não perde em qualidade para o resto da discografia do cara. Coisa fina.

O Neon Bible, do Arcade Fire, não chamou minha atenção quando saiu e só fui ouvi-lo com atenção há uma semana. E é maravilhoso. Assim como All Hour Cymbals, do Yeasayer, grande banda que não conhecia, lembra um pouco o TV on the Radio (ouçam 2080). E o Midlake, de The Trials os Van Occupanther, belo disco do ano passado (ouçam Roscoe).

No mais, passei boa parte do ano chafurdando nas discografias completas do Neil Young e do Tom Waits, dois gênios absolutos, além de ouvir repetidamente o Blood on the Tracks, do Dylan, o meu favorito do homem.

hark!

Só conheci hoje. Muito maravilhoso.

October 1, 2007

HA HA HADIOHEAD

Deus meu.

September 15, 2007

você reclama do meu apogeu

A melhor apresentação ao vivo da televisão mundial: Neil Young tocando Rockin’ in the Free World no Saturday Night Live, no dia 30 de setembro de 1989.


Esse vídeo é minha droga ultimamente. Nunca falha. E é, de fato, bem histórico.

Young, pelo menos até essa época, sempre evitou aparições na televisão (algo que mudaria na década de 90, quando virou, oficialmente, “lenda do rock” e ícone aparentemente incontestável). Só o fato de ter aceito tocar no SNL já é incomum.

O velhinho ainda teve a manha de aparecer vestido de líder de gangue, com asseclas e tudo mais. O curioso é que essa formação específica - Steve Jordan na bateria, Charley Drayton no baixo e o amigo de longa data Frank ‘Poncho’ Sampedro, do Crazy Horse - só funcionou nessa única apresentação.

Há ainda a música em si. No final dos anos 80, Young saía de uma longa fase de fracassos comerciais e artísticos (trolhas como Trans e Re-ac-tor, em que ele se arriscou com vocoders e música eletrônica) e tinha acabado de perceber que andava funcionando melhor na freqüência da fúria. Rockin’ in the Free World é uma das melhores desse período, ambígua de doer, pseudo-elegia ianque que só um canadense podia fazer.

Essa apresentação no SNL é, de longe, a versão definitiva da música. Até o próprio Young acha isso. Tudo está perfeito: Steve Jordan em combustão, músicos trocando agressões entre si, dois solos completamente inviáveis, Young fugindo da câmera (esta é a versão editada; a transmissão ao vivo teve alguns planos vazios porque Young se mexia demais e saía de quadro), até os erros caem bem. Veja e chore.

March 4, 2007

céu azul

Wilco - Sky Blue Sky

Ontem, meio na surdina, o Wilco colocou no site a íntegra do novo disco, Sky Blue Sky, que só sai em maio.

Não adianta olhar de novo, já sumiu.

Era preciso estar em casa, com um fone de ouvido atravessado na cabeça, numa madrugada de sábado, com plena posse de informações & links & quicktime configurado.

Consegue ser ainda mais lindo que A Ghost Is Born, mais melódico, mais direto, mais genial. Jeff Tweedy demonstra uma incapacidade patológica de errar. A adição do guitarrista Nels Cline finalmente prova ser lance de gênio. Maio será um belo mês.

December 24, 2006

tudo vai mal

Após avançar um terço de Roberto Carlos em Detalhes, do Paulo Cesar de Araújo, algumas impressões:

1 - Um dos livros mais mal editados graficamente que já tive em mãos, considerando a importância do lançamento e o tamanho da editora (a espanhola Planeta). Além do tamanho ser incômodo (21 cm x 28 cm), a opção de diagramação em duas colunas é estranha. Sem contar a capa, de causar sobressaltos e taquicardia de tão medonha;

2 - O cuidado com as fotos é mínimo. Além de poucas e visivelmente mal escolhidas, não têm identificada a data. Para completar o horror, trazem legendas risíveis, como “Roberto Carlos olhando além do horizonte”;

3 - Como obra que se pretende referencial sobre o Roberto Carlos, é triste ver que sonega a discografia do artista. Seria bacana ver uma lista completa de tudo que o cara lançou, das músicas que gravou, de quem compôs qual etc;

4 - Suspeito que o livro foi editado na pressa de aproveitar o final de ano, principalmente por acompanhar o lançamento do novo disco do RC e a exibição do especial de fim de ano. Não traz um índice onomástico, por exemplo, que seria bem útil. Além disso, o texto contém erros de português (p. 127: “Certa vez, Manoel Carlos pediu Cauby Peixoto e Ângela Maria para cantarem…”), repetições e muitos clichês (o “não precisou pedir duas vezes”, em particular, irrita muito);

5 - É até engraçado que RC venha condenar o livro. O autor é claramente partidário do cantor. Mais do que isso, adota um tom mitificador em vários trechos, com banalidades do tipo “E fulano de tal nunca imaginaria que estava diante daquele que se tornaria o maior artista popular da história do país” etc.

6 - Apesar de tudo, é a história do Rei, e Araújo, apesar de narrador de eficiência inconstante, dá conta do recado. Persistirei.

November 7, 2006

montanha de sangue

Foto: Ryan Russell A galerinha do metal já de estar ligada, mas vale a dica pra turma shoegazer desmamada com OVOMALTINO: de foder esse Mastodon, puta que pariu. Perfeito equilíbrio entre o CÂNONE headbanger (saca o nome do disco novo: Blood Mountain) e uma pegada moderna, às vezes meio jazz FROM HELL. O álbum anterior era conceitual, baseado em Moby Dick. O novo não é baseado em nada, mas é maldade sonora do início ao fim. Colony of Birchmen e Sleeping Giant são, fácil, duas das melhores músicas que já ouvi no gênero. Desde já entre os favoritos da casa.

October 3, 2006

não me elegi porque faltou voto

Para pegar carona no momento de alta eletricidade democrática do país, volto a escrever para legislar em causa própria e anunciar promessas belas, audaciosas e vazias.

Chefiado pelo amigo Luis e com colaboração de uma porção de gente (alguns jornalistas, infelizmente, inclusive eu), tá no ar o Banana Mecânica, site de música que aspira a abrangência GENUINAMENTE nacional. Sim, a idéia é ter colaboradores no Amapá escrevendo sobre a cena local, seja lá o que for que o pessoal da área esteja aprontando. Roberto Justus nos ensinou que ambição é fundamental na vida.

O site ainda passa por fase de ajustes, mas é aquela coisa: os méritos são todos do Luis e da turminha que ajuda, os erros são fruto do capitalismo, da máfia dos sanguessugas, do dossiê de conteúdo invisível e de mim mesmo, que falo que faço isto e aquilo e dou cano.

No mais, prometo a criação de 10 mil novos posts até o final de 2010.

August 13, 2006

melhor show

April 2, 2006

hey chicken

Delícia absoluta Born In The USA Again, novo do Loose Fur, projeto paralelo de Jeff Tweedy, Glenn Kotche e Jim O’Rourke (líder, baterista e produtor do Wilco, respectivamente). Essa turminha nunca me decepciona.

(Link para download no Rapidshare, dica do s., meu estranho favorito)

January 27, 2006

erosão natural das montanhas

Depois de Just Like the Fambly Cat, disco a ser lançado em maio, o Grandaddy acabou-se. Menos uma banda foda tocando por aí.

dev2.o

Devo para crianças. Ou melhor: o Devo decide regravar seus clássicos e adicionar vocais infantis (ou nem tanto). E a idéia é atingir justamente o público infantil.

Bom, se eu tivesse filhos, preferiria que eles ouvissem crianças cantando Devo do que qualquer coisa da Eliana.

January 18, 2006

melhores discos de 2005

Sem ordem de preferência:

Aimee Mann - The Forgotten Arm
O mais interessante nesse disco é como se consegue preencher um álbum inteiro de pop/rock sólido, coerente e cativante com canções tão simples e diretas. Belíssima produção também, dá pra ouvir cada instrumento com clareza incomum.

Spoon - Gimme Fiction
Nunca havia escutado essa banda, e levou algumas audições para entender. Vale o esforço. O Spoon vai além do clichê “menos é mais”; no caso, menos é exato. Para entender, baixe I Turn My Camera On.

Supergrass - Road to Rouen
Em sequência ao maravilhoso Life on Other Planets, de 2002, o Supergrass entra na fase em que boa parte das bandas de rock passa: uma caótica revisão das próprias referências musicais. Agora os caras recorrem a Beatles, Stones, Led Zeppelin, Sly & the Family Stone, psicodelia e folk, às vezes em doses literais. Mas é muito bom, que diabos.

Antony and the Johnsons - I am a Bird Now
A voz desse Antony é uma das coisas mais arrepiantes que já ouvi. Acompanhada de piano, é até covardia.

Wilco - Kicking Television

Simplesmente o primeiro disco ao vivo da melhor banda do mundo.

Ed Harcourt - Strangers
Pouco conhecido, mas excelente, esse Ed Harcourt. Tem futuro. Álbum variado, cheio de canções lindas (baixem Let Love Not Weigh Me Down ou This One’s For You).

The Life Aquatic Soundtrack
Esse eu ouvi exaustivamente antes e depois de ter visto o (maravilhoso) filme. Até saiu recentemente o The Life Aquatic Studio Sessions featuring Seu Jorge, incluindo todas as músicas do David Bowie que o Seu Jorge gravou pro filme (só há cinco na trilha), mas tudo nesse disco é fantástico: Stooges (Search and Destroy), MAIS David Bowie (Queen Bitch e Life on Mars), Devo (Gut Feeling), mais instrumentais incríveis de Mark Mothersbaugh e Sven Libaek.

October 25, 2005

acerca do tim festival


Mundo Livre S/A: CHORA, CAVACO.

M.I.A.: Música chata, batidas fracas, performance de palco bisonha e roupas pouco reveladoras. Os dedos médios em riste de parte da platéia disseram tudo.

Arcade Fire: Impressionante e lindo o show desses canadenses. Tirando a versão de “Aquarela do Brasil”, pela qual o público deve ter apresentado simpatia por mero ufanismo (haha), foi um show perfeito. Abriu com “Wake Up”, fechou com “Rebellion (Lies)”, do jeito que eu imaginava ser o ideal. Nesse meio, “Crown of Love” me surpreendeu por ser MARAVILHOSA ao vivo e quando chegou a hora de “Neighborhood #1 (Tunnels)”, talvez a minha favorita deles, eu já estava em frangalhos. Inesquecível.

Kings of Leon: Como sou um adepto do rock caipira americano (se tivesse uma banda, ia querer fazer esse tipo de som, entre outras misturas bastardas), os caras já chegaram com meio jogo ganho comigo. Mas confesso que achava que o show deles seria morno. Já tinha baixado vídeos e ouvido apresentações e, putz, soava mal. Eles apareciam blasé pra caralho, preguiçosos no palco. Por isso, na abertura, com uma versão enfadonha e lenta de “Molly’s Chambers”, achei que ia ser isso mesmo. Que nada: o que se seguiu foi o tipo de performance que eu queria dos caras. Pelo telão era possível ver o baterista RESFOLEGANDO e SOFRENDO. Deram tudo de si num show absolutamente boçal, rápido, vigoroso e divertido pra caralho. “Soft” deve ter sido o ponto alto e, porra, fechar com “Trani” é sacanagem, MELHOR MÚSICA.

Strokes: IGUAL O DISCO. O que não deixa de ser bom. Todas as músicas soavam como hits. Mas, oras, achei que o ponto alto foi “Juicebox”, uma das músicas novas. Rápida, com seções instrumentais diferentes e meio HARD ROCK. O melhor de tudo foi notar que Strokes - e, por extensão, boa parte da música indie (hã?) - pode se travestir facilmente de ROCK DE ARENA e divertir tanto quanto. Show conciso, belo fim de noite.

October 20, 2005

realidade e ilusão

Guilherme tem toda a razão: essa entrevista com Wayne Shorter está imperdível.

October 17, 2005

é por isso que eu acho deus filho da puta

Foto: Daniel Lima

Puta show o dos Abimonistas. Destaque para as fabulosas canções “Eu Não Tenho Pinto” e “1000 Razões Que Explicam Um Pouco Por Que Eu Te Amo Tanto”.

October 13, 2005

how to fight loneliness

Jeff Tweedy
Se você, como eu, é um dos infelizes fanáticos por Wilco que não estarão ovacionando Jeff Tweedy no TIM Festival, no Rio, console-se baixando bootlegs da banda no Via Chicago. No esquema bit torrent, quase diariamente uns camaradas compartilham gravações de shows inteiros do Wilco, a maioria com qualidade de som muito boa. Só é preciso conexão rápida e/ou muita paciência, pois os arquivos geralmente são .flac (Free Lossless Audio Codec), formato de áudio sem perda que é, em média, umas quatro ou cinco vezes maior que um mp3 (ou seja: uns 600mb por show). Seria legal se alguém gravasse a apresentação daqui.

October 8, 2005

“ninguém vai se salvar”

Scott Henderson, guitarrista e vocalista do Screaming GentlemenApesar da fama de inacessível, o Screaming Gentlemen revela-se bastante comunicativo quando cortejado do jeito certo. O vocalista, guitarrista e compositor Scott Henderson aceitou conceder a seguinte entrevista – via Skype. Perguntado sobre a escolha, Scott mostrou um lado sensível pouco conhecido: “Achei que seria mais barato pra você, caralho”. De Chicago, onde mora, o músico falou sobre como o novo álbum, Dirty Dawns, foi recebido pelo público e discutiu os rumos da música do grupo.

generico: Acho que a primeira coisa que todo mundo pergunta pra vocês é sobre a mudança musical do primeiro disco para o segundo. Que tipo de reações vocês esperavam do público e dos críticos?
Scott Henderson: Pra falar a verdade, nem ligamos pra isso. Não gosto de fazer música como se manufaturasse um produto, seguindo normas, respeitando o consumidor, sabe, fazendo o que o público espera. Não gosto dessa postura por parte de artista nenhum. Fizemos do jeito que nos pareceu bom.

Mas você esperava algum tipo de reação?
Sim, esperava esse tipo de pergunta dos jornalistas também. (risos) Sabia que muitos fãs torceriam o nariz, mas não quero fãs tapados que gostem de nossa música sem realmente ouvi-la. O ideal é quando existe espontaneidade dos dois lados: de nós, músicos, que devem criar livremente, e do público, que, a cada disco, julga se gosta ou não. Não espero fidelidade canina de ninguém.

Imagino que tenha então certa aversão a fã-clubes.
(risos) Um pouco. Mas há muita gente inteligente ouvindo nossa banda.

Como andam as vendas dos álbuns?
Muito ruins. Nada inesperado. Mas compensamos fazendo alguns shows por aí.

Quantas guitarras destruiu esse ano?
Cara, só três… Descobri que esse tipo de hábito custa dinheiro demais. Nem todo mundo pode ser Pete Townshend, por vários motivos.

Cite alguns.
Bem, o cara realmente sabia tocar guitarra. Hoje não sei, toca mais violão do que qualquer outra coisa, o que é bem triste. Mas talvez seja um problema meu, que sente saudade do vigor e da violência dele e do Who dos anos 60 e 70. Envelhecer é uma merda.

Isso significa que os dois anos entre o primeiro disco e Dirty Dawns pesou para que a brutalidade desse espaço à psicodelia?
Depois de uma breve discussão sobre se deveríamos incluir palavrões nas letras por causa de nossos filhos, que já estão na idade de entender o que cantamos, isso só pode ser verdade. Mas essa mudança de foco não significa necessariamente enfraquecimento. Ainda saímos cheios de hematomas e cortes superficiais dos shows.

O que acha das recentes comparações com o Flaming Lips?
Porra, o sangue do Wayne Coyne [vocalista do Flaming Lips] é de mentira. Isso deveria ser levado em consideração! (risos) Adoro o som dos caras, mas todos aqueles sintetizadores não me atraem muito. Gosto da idéia de criar com elementos mínimos. No caso, bateria, baixo, voz e guitarra. Desde o início eu quis trabalhar com esses instrumentos e fazer o máximo possível com eles. Fico pelo menos três horas por dia experimentando timbres, efeitos e outros tipos de maluquice com minhas guitarras, pedais e amplificadores em casa.

Mas boa parte do rock foi feito com esses mesmos instrumentos. O Screaming Gentlemen quer realmente soar diferente de tudo? Você descobriu algum tipo de terreno inexplorado por todos os outros grupos?
Sim, é uma pretensão que gosto de admitir. A guitarra elétrica tem, o que, sessenta anos? Acho pouquíssimo tempo para desenvolver toda a capacidade de uma ferramenta tão complexa. E isso deve valer para os outros instrumentos também. Não estou dizendo que vamos fazer diferente, mas estamos conscientemente tentando inovar. Minha idéia, a princípio, é transformar a banda em uma espécie de mini-orquestra. Em algumas faixas, temos oito canais com guitarras, cada uma tocada de um jeito diferente. Quero levar isso pro palco.

Quantos músicos adicionais seriam necessários?
Uns dez, mais ou menos. Não é muito viável, mas viver também não é.

Estranho otimismo.
Pode crer que essa declaração consumiu toda minha cota semanal. (risos)

As letras do novo disco estão cada vez mais niilistas…
(interrompendo) Ah, sim. Sim.

Por quê?
Simplesmente saem assim. Sabe, gostaria muito de ver algum tipo de esperança na raça humana, mas sou diariamente desencorajado quando leio jornais ou vou ao supermercado. Quase todo dia perguntam pra alguém da banda se somos malucos ou doentes por escrevermos essas letras absurdas… Mas há duas semanas descobriram, a menos de duas quadras de onde moro, um casal que adotou uma criança só para comê-la. A princípio fiquei chocado, mas depois cheguei à conclusão que o mundo inteiro parece estar se ajustando a essa mesma freqüência de pensamento, de nível de insanidade. Não dá pra usar o termo “loucura coletiva” porque loucura é desvio, e o que temos agora parece ser a nova norma do milênio. Ninguém vai se salvar. Nem nós e nossa música. Só estou registrando o clima à minha volta.

October 2, 2005

grande idéia

Doe $100 para as vítimas do Katrina e ganhe um telefonema de Brian Wilson. Você pode fazer uma pergunta ou simplesmente dar um oi pro cara. E, ei, parece que ele liga mesmo.

September 27, 2005

gritaria

Screaming Gentlemen - \"Dirty Dawns\"

Enquanto ainda discutem se o 4 dos barbudos é ou não é como os álbuns anteriores, minha confusão está completamente depositada sobre Dirty Dawns, segundo disco do Screaming Gentlemen, talvez a maior banda desconhecida do mundo. Nem no Pitchforkmedia, maior paraíso indie da web, esses caras ganham resenhas. Ainda não consegui entender o porquê. Provavelmente pelo fato de serem quase tão avessos a mídia quanto o Dalton Trevisan.

Mudando radicalmente de direção, o Screaming Gentlemen trocou o que eu chamo de infernocore (haha) por um irresistível clima psicodélico. Só que, diferente do Flaming Lips, por exemplo, que usam uma infinidade de instrumentos e sintetizadores nas (maravilhosas) músicas, os caras do SG fazem quase tudo com guitarras e microfonias. É quase como se o Slayer mergulhasse no ácido.

O mais engraçado é que as letras continuam tão boçais como sempre. A faixa que abre o disco, Pigeons, é narrada por um cara que aprisiona pombos para amputar suas patas. Exquisite Hug é sobre um cara solitário que passa cola nas mãos e abraça a si mesmo. Grab my Heart é um épico de nove minutos sobre o dia em que as mãos de todos os seres humanos se desprenderam de seus corpos e invadiram a África. Nada faz sentido, mas é tudo fantástico.

September 12, 2005

METAAAAL

Judas Priest - 09.09.05
Foto: Thiago Padovanni

Eu, um ponto branco em meio ao mar de camisetas negras do Anhembi, vi, com meus olhos verdes carcomidos, Rob Halford surgir no centro de um gigantesco olho vazado de pano e cantar Electric Eye, minha música favorita do Judas Priest.

Sim, estive lá. Cantei quase todas junto.

O metal segue sendo uma coisa enigmática e apaixonante. Se por um lado consegue ultrapassar as fronteiras do ridículo com mais frequência do que qualquer outro gênero, mantém-se um dos mais divertidos. Talvez exatamente por essa oscilação. Até hoje escuto meus discos do Iron Maiden com carinho (apesar de Chemical Wedding, do Bruce Dickinson, continuar melhor do que a maioria das coisas do IM) e mantenho certo interesse pelas novidades.

Mas continuo achando que o metal, ao vivo, ao contrário do que se pensa, é tudo menos pesado. Salvo exceções, claro. O Judas Priest, por acaso, é uma delas.