July 11, 2009

nunca é fácil

Toda ilusão de caminho fácil está fadada ao fracasso. Trecho da entrevista do Gay Talese na Paris Review:

INTERVIEWER
Why did you choose journalism as a major?

TALESE
The main reason was that it seemed like the easiest thing to do.

Aí você topa com o rascunho de “Frank Sinatra Está Resfriado”, sua reportagem mais conhecida e um clássico incontestável das faculdades de jornalismo:


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INTERVIEWER
Did you write as slowly and carefully then as you do now?

TALESE
All the other reporters of my generation would come back from an assignment and be done with their piece in a half hour. For the rest of the afternoon they’d be reading books or playing cards or drinking coffee in the cafeteria, and I was always very much alone. I didn’t carry on conversations during those hours. I just wanted to make my article perfect, or as good as I could get it. So I rewrote and rewrote, feeling that I needed every minute of the working day to improve my work. I did this because I didn’t believe that it was just journalism, thrown away the next day with the trash. I always had a sense of tomorrow. I never turned in anything more than two minutes before deadline. It was never easy, I felt I had only one chance.

July 7, 2009

timing

Entrevista com Kurt Vonnegut na McSweeney’s:

Q: But at least a couple times, I’ve been moved to tears by your books. The passage in Timequake when you discuss the last conversation you had with your first wife is devastating.

Vonnegut: Yeah. [Long pause] I got that right, didn’t I?

Q: Perhaps hiding those moments between all of the jokes gives them particular impact.

Vonnegut: Well, the telling of jokes is an art of its own, and it always rises from some emotional threat. The best jokes are dangerous, and dangerous because they are in some way truthful. By the way, do you know the secret of telling a joke well?

Q: [Tries to answer, but he beats me to it]

Vonnegut: TIMING! [Laughs]

May 1, 2008

a estrada

Lendo The Road, do Cormac McCarthy, em pequenas doses, como se sorvesse uma pequena xícara do café mais caro do mundo. Não sei como está a edição brasileira, traduzida por Adriana Lisboa, mas este é um daqueles livros que implora pela leitura no original. De uma concisão e de uma beleza desconcertantes.

April 29, 2008

sola do sapato do elvis

Depois de ler o Mate-me, Por Favor, livro-reportagem-depoimento sobre o surgimento do punk, de Velvet Underground e Stooges a Sex Pistols, fica a dúvida: entre tantas drogas, onde ficava a música? É um puta livro, mas fica a impressão de que as pessoas apenas subiam no palco e faziam barulho. Tá certo que ler sobre Sid Vicious injetando heroína misturada com água de privada é morbidamente interessante, mas não é possível que só existisse destruição e auto-destruição. Os caras construiram obras, de uma forma ou outra. Ou será que Iggy Pop era “deus” apenas porque rolava sobre cacos de vidro?

March 19, 2008

de volta à matriz do monolito


Arthur C. Clarke, RIP…

March 26, 2006

constelação literária

Literature-Map, mapa visual de autores correlacionados. Infelizmente não muito atualizado, porque a busca ‘Bruna Surfistinha’ não retorna resultados. (Via Metafilter)

March 24, 2006

fuck fuck fuck [ad nauseam, fills whole page]

Macaulay Culkin se lança como escritor. Hum.

March 14, 2006

mulheres despencam do céu

Um belo microconto sci-fi encontrado no excelente Introdução ao Estudo da “Science Fiction”, de André Carneiro:

Uma Chuva de Mulheres
Pierre Versins

As primeiras chegaram pelo começo de maio. Eram tão belas e desejáveis que os homens sonhavam todas as noites e as perseguiam todos os dias. Em pouco tempo souberam que jamais elas eram difíceis e até os homens tímidos estavam fascinados. Elas faziam o amor com um refinamento e uma sutileza que suplantavam a mais ardorosa rival terrestre. O número já grande de solteironas aumentava.

E elas continuavam tombando do céu, encantadoras e sensuais, eclipsando sem dúvidas a nossa mulher mais perfeita. O amor tomava todo o tempo dos homens.

Elas continuavam lindas e não envelheciam nunca.

Levou muito tempo para se aperceber que elas eram completamente estéreis. Assim, quando meio século mais tarde seus robustos amantes desembarcaram de Vênus, a maioria sobre a Terra eram homens decrépitos e mulheres muito velhas.

Eles foram muito gentis e trataram a todos sem nenhuma brutalidade…

January 27, 2006

esperança.pps

“‘A vida não é feita de amanhãs promissores, de crepúsculos encantados e baboseiras como essas. É trabalho. A pessoa a quem você ama raramente é digna do grande amor que você lhe dedica. Porque ninguém é digno disso e talvez ninguém mereça o fardo que isso representa. Você vai ser abandonado. Você vai se decepcionar, vai ter sua confiança traída e vai comer o pão que o diabo amassou. Você perde muito mais do que ganha. Você odeia a pessoa amada na mesma medida em que a ama. Mas, merda, você arregaça as mangas e trabalha - em tudo -, porque envelhecer é isso.’

‘Annabeth’, disse Sean. ‘Alguém já lhe disse que você é uma mulher dura?’

Ela voltou a cabeça para ele, os olhos fechados, um sorriso sonhador na face. ‘O tempo todo.’”

Sobre Meninos e Lobos, de Douglas Lehane. Livro que merece o maravilhoso filme que originou.