springsteen

Ouço cada vez mais a Bruce Springsteen. Há grande chance de não fazer apenas pela música em si. É um tipo de rock expansivo, entusiasmado e com grandes ganchos pop; serve tanto a um bar esfumaçado quanto a uma arena cheia de gente aos berros. A E Street Band sem dúvida soa confortável nos dois contextos. É grande música. Mas não é tudo.
O que me atrai mais, começo a constatar, é a ausência total de cinismo em Springsteen. Nem em letras e arranjos nem em performance. Até os exageros emocionais parecem genuínos. Não há notas falsas no discurso blue collar dele, em suas histórias de pobreza material e grandeza moral, em seus relatos de amor entre pessoas machucadas pela vida. É um grande contador de histórias.
A forte identidade americana não me afasta (geralmente não afasta mesmo), Springsteen faz bem mais que filtrar a mentalidade do país em forma de música. Ouço “Thunder Road” cada vez mais transtornado pelas imagens dessa canção. Está tudo lá: amor perdido, medo, coragem, fragilidade, entrega, assombro. Fico emocionado de verdade.
Posso estar chafurdando numa visão melodramática de mundo, mas vejo cada vez menos espaço para esse tipo de enternecimento. Algo mais do que a lágrima socialmente aceita quando induzida por comédias românticas. Pouca coisa além disso, o cinismo geral rotula cafona, brega, ingênuo.
A música de Springsteen é imune a esse ataque. É direta e honesta. E emocional sem abdicar da razão (nunca; quem me conhece sabe minha ênfase nisso). É, em resumo, uma boa forma de encarar a vida. Algo como o clipe de “Dancing in the Dark“.
Abaixo, fiz uma playlist só de pérolas. Apreciem.





