April 29, 2008

sola do sapato do elvis

Depois de ler o Mate-me, Por Favor, livro-reportagem-depoimento sobre o surgimento do punk, de Velvet Underground e Stooges a Sex Pistols, fica a dúvida: entre tantas drogas, onde ficava a música? É um puta livro, mas fica a impressão de que as pessoas apenas subiam no palco e faziam barulho. Tá certo que ler sobre Sid Vicious injetando heroína misturada com água de privada é morbidamente interessante, mas não é possível que só existisse destruição e auto-destruição. Os caras construiram obras, de uma forma ou outra. Ou será que Iggy Pop era “deus” apenas porque rolava sobre cacos de vidro?

interação endêmica

Superávit cognitivo? Em vídeo, Clay Shirky explica. Ou, se quiser, há transcrição.

April 26, 2008

a la kinks

Sem amplificador, guitarra com parte elétrica em dia nem pedais, comecei a plugar o violão elétrico na entrada de microfone do aparelho de som, que já não serve pra quase nada há alguns anos. Descobri que combinando o volume de entrada no som com o equalizador do violão dá pra tirar um som MANEIRO. Como não tenho interesse em obter tons limpos, já que para isso basta tocar desplugado (é um violão folk, ele foi feito pra isso), percebi que o volume de entrada servia como controle de ganho e que qualquer coisa acima de 20% significa um overdrive de respeito. Daí, tirando os graves do violão e estourando os médios e agudos, o bicho começa a emitir um rugido PRIMAL e absolutamente porco, o suficiente para tocar Search & Destroy, do Stooges, sem me sentir um completo idiota. Ou seja: estragarei as caixas de som num tempo menor, mas atormentarei os vizinhos com mais propriedade.

April 22, 2008

your phony rock ‘n’ roll

Como venho enfatizando ocasionalmente, os anos 1980 foram até bem legais em termos de música. Claro que as atrocidades perduram mais tempo e causam mais discussão, mas as maravilhas continuam lá: Minutemen, Hüsker Dü, Mission of Burma, Black Flag, Bad Brains, Minor Threat, o insuperável começo de carreira do Metallica, Smiths, o Guns ‘n Roses e seu sensacional disco de estréia. E muitos outros até, que esqueço.

Mas uma banda especial era o Replacements.



The Replacements - Bastards of Young

Pena que há pouca coisa deles espalhada no You Tube. Merecia mais registros. Uma grande banda de rock, com um líder carismático e algumas das composições mais honestas e emocionantes de toda a década, como Hold My Life, Bastards of Young, Seen Your Video, Kiss Me on the Bus e muitas outras.

April 20, 2008

sobre o abandono

Entro no metrô Vila Madalena às 0h55 do domingo, cinco minutos antes do encerramento de suas operações de sábado. Além de mim, não há ninguém na plataforma. Desço no Paraíso e não vejo alma viva na estação. Nerd ligeiramente bêbado se anima com pouco, e me animo. A plataforma vazia. Cenário do pós-apocalipse, uma das imagens que mais me divertem. Não só a mim; todo mundo que viu Extermínio ou Dia dos Mortos lembra em detalhes das cenas das ruas vazias.

Óbvio que o cenário de desolação e vazio em São Paulo justifica-se com poucas informações a título de contextualização: é um final de semana atípico, enxertado num feriado de segunda, e o horário, no metrô, é notadamente incomum; funciona uns 45 minutos a mais no sábado, fato talvez pouco conhecido. Além do mais, madrugadas são tipicamente desertas. Não há surpresa nisso.

A plataforma vazia, no entanto, tem um charme indiscutível. É o fascínio pelo abandono da cidade. Abandono pressupõe rompimento de relação de posse ou controle. É justamente isso. A cidade abandonada é a cidade sem seus criadores, os homens. É a metáfora da ausência de Deus. Por que perturba? Talvez porque sintamos com mais essa ausência, provavelmente verdadeira…

Seria a experiência religiosa simplesmente a necessidade de presença? De companhia no mundo. Se sim, Deus torna-se contingência. E criação humana, como as cidades.

Ah, vou dormir.

April 17, 2008

o despertar do otimismo

Sempre me supus um pessimista, mas esse conceito caiu por terra após duas demonstrações óbvias de fé na raça humana: na primeira, convenci-me a assistir Alien x Predador 2 imaginando se tratar de um bom filme ruim. Para meu infinito desgosto, é apenas ruim. Digo, ruim de deixar marcas no caráter da pessoa, fazer as glândulas lacrimais verterem Cynar, obliterar o paladar por uma semana.

Dias depois, resolvi conceder uma segunda chance ao St. Anger, disco mais massacrado do Metallica. Não sei dizer porque. Deve ser aí que entra em jogo o otimismo; irracional, cego e sem conhecimento de história (fadado a repetí-la). A crença de que não apenas as coisas em si podem mudar para melhor, mas também nossa percepção delas.

Claro que o disco permanece completamente inaudível.

Respirei fundo e pensei comigo: “tudo bem, é só dessa vez. Devo conseguir evitar o otimismo pro resto da vida.”

April 16, 2008

brüno: delicious journeys through america for the purpose of making heterosexual males visibly uncomfortable in the presence of a gay foreigner in a mesh t-shirt

É o título do próximo filme do Sacha Baron Cohen.

April 15, 2008

aqui, ali, em todo lugar

Caros, um pedido: atualizem seus leitores de rss com este novo feed do blog: http://feeds.feedburner.com/Generico. Aparentemente, ganho mais opções de personalização do feed com esse serviço. Quanto a vocês, espero que tenham uma boa semana. :)

revisão de conceitos

Os Beatles não fizeram tudo que havia para ser feito no rock. Isso seria impraticável em termos quantitativos. Eles esgotaram, sim, as formas de reformular e recombinar o rock, seja consigo mesmo ou com outros gêneros. Ou seja: ainda podem surgir novidades, mas nenhuma que os Beatles não tenham antecipado.

April 14, 2008

perfis de amigos imaginários II

Quando Almir me levou pela primeira vez a seu local de trabalho, eu estava vendado havia cerca de duas horas. É medida de segurança, dizia ele de dez em dez minutos, sempre cantarolando alguma música do Art Popular. Eu cantarolava junto, ou dizia, eu sei que é na Zona Leste, porra, mas ele repetia. É por medida de segurança. Tudo bem. Até parece que o amor não deu… E íamos.

Quando o carro finalmente parou e pude abrir os olhos, estávamos num grande galpão coberto com telhas de alumínio e impregnado de cheiro de lingüiça assada. Os colegas de Almir faziam um churrasco sem trilha sonora, andando como zumbis em torno da churrasqueira, com copos de plástico na mão. Ninguém falava muito. Olhei para o centro do galpão. Erguido sobre uma dezena de cavaletes de metal, estava um vagão do metrô.

A parte mais difícil é trazer pra cá, depois é mais fácil de desmontar que um Corsa, informou-me Almir, antecipando a pergunta óbvia. O desmanche de vagões de metrô era um negócio em plena expansão, ele me disse. A demanda era alta e a oferta, diminuta.

Com um aparelho parecido com uma furadeira, mas com ponta de chave allen, ele desparafusou a moldura de metal em volta de uma porta do vagão. Moleza, ele disse, e me passou o aparelho. Desparafusei a soleira de metal. Saiu facilmente. Almir soltou um “iha!”, como fazia sempre que dizia algo esperto ou surpreendia alguém com um gesto inesperado. Fazia isso sempre. No ponto de ônibus, abordava meninas bonitas perguntando se elas esperavam há muito tempo ali. Geralmente diziam que sim. Sem perder a deixa, assobiava para um amigo próximo, que estacionava seu Voyage 1986 azul-marinho em frente ao ponto. Oferecia à moça uma carona. “Iha!”

Perguntei sobre a cabine. Não, ele disse, nem todos têm cabine. Não operavam desse tipo, apenas os vagões comuns. Repeti minha dúvida sobre como eles traziam o vagão até o galpão.

Essa informação é justamente o que diferencia a gente dos desmanches comuns, ele repondeu, dando a entender que era um pedaço de conhecimento valioso demais para ser discutido. Mesmo entre amigos. O que éramos, apesar das surras que eventualmente me aplicava no primário. A primeira vez que o atingi com uma cotovelada no queixo, ele deixou de me agredir por qualquer motivo. Passamos a nos esmurrar sem motivo, por diversão. Foi nessa época que me disse ter roubado o primeiro carro. Condenei a atitude apenas uma vez, e depois perguntei como era que se fazia. Várias formas, ele disse, mas prefiro usar o ferrinho. Fazia com que se sentisse hábil em alguma coisa, notei. Nunca o encorajei, mas vez ou outra perguntava sobre seu balanço mensal.

Nunca ouvi falar sobre roubos de vagões de metrô, informei-lhe. Ele coçou a cabeça cheia de cabelos pretos e enrolados como porcas e disse, sorrindo: é bom mesmo que não, notícia assim não beneficia ninguém. Concordei com sua lógica. Ele apontou para a churrasqueira e disse, pega lá.

Antes de ir embora, tirou do bolso uma daquelas plaquinhas que ficam rebitadas nas portas do metrô, com o bonequinho e o aviso para que se mantenha a mão longe da porta. “Iha!” Pus a venda por conta própria e entrei no carro.

April 13, 2008

the dude abides


Todos os “dude” em The Big Lebowski, um dos vários filmes perfeitos dos Coen.

o infinito para consumo

Manja o pote do fermento em pó Royal, com o desenho da embalagem se repetindo na própria embalagem? Esse efeito, quem diria, tem nome - efeito Droste - e, embora não exatamente comum, se repete bastante por aí. Quer dizer, o Pink Floyd já fez, então dá pra ter uma idéia. (via waxy.org)

April 12, 2008

subliminar

Essa eu não sabia: o Aphex Twin colocou algumas imagens ocultas nos espectrográficos de músicas dele.

Atualização: Rafael Capanema informa que “essa é mais velha que aquele GIF DO BEBEZINHO 3D DANÇANDO”.

coesão


Por falar em Minutemen, um bom ponto de partida pra quem quer conhecer a banda é o ótimo documentário We Jam Econo - The Story of The Minutemen. Recomendo, até porque é minha banda-fetiche do momento. Os caras não só eram músicos muito acima da média, especialmente para o cenário punk-hardcore americano dos anos 80, como tinham uma postura política e estética muito pessoal.

O guitarrista, D. Boon, veio com a idéia de igualdade no som da banda e a resolveu de forma inteligente: quase nunca usava distorção ou power chords e tirava os graves e os médios da guitarra, deixando espaço livre para o baixo de Mike Watt. Cabia ao MONSTRO George Hurley costurar tudo com a bateria. O resultado era uma mistura inclassificável de punk, jazz e funk aplicada em doses ultraconcentradas - as músicas raramente passavam de 2 minutos.

O melhor exemplo é o álbum duplo Double Nickels on the Dime, clássico absoluto, com 45 faixas. Para eles, o que interessava era a essência das músicas e o fluir delas no disco. Impressionismo punk da melhor qualidade. E muito bem tocado. E criativo pra diabo.

April 10, 2008

the king of kong


Se a história de The King of Kong fosse ficção, soaria pequena, banal e um tanto ridícula: a disputa de dois caras de personalidades opostas pelo recorde mundial no velho arcade Donkey Kong.

Como documentário, tudo muda.

Os personagens são um achado. De um lado, Billy Mitchell, o superstar do professional-retro-gaming, o detentor do recorde absoluto no jogo desde a década de 1980, o empresário bem-sucedido do ramo de molhos, o patriota de gravata com a bandeira dos EUA. Do outro, Steve Wiebe, o pai de família, o professor de escola primária, o cara que tentou a sorte em áreas como o esporte e a música e nunca se realizou em nada, o abnegado com tendências obssessivo-compulsivas e muito a provar a si mesmo.

O antagonismos dos dois, ainda que mostrado em forma de luta entre bem e mal, surpreende pelo humor e pelo suspense. Durante todo o filme, Wiebe se submete ao escrutínio e à pressão da comunidade dos jogos (e pela própria equipe do documentário…) em busca de um duelo direto com Mitchell, que insiste em se manter oculto, rondar de carro os locais de competição, enviar fitas com recordes suspeitos e acionar capangas para monitorar o desempenho do adversário.

Da mesma forma que Murderball, o truque do diretor Seth Gordon é se aprofundar nos personagens e entender seu mundo e o que os motiva, sem julgamentos. Em ambos, a fome por realização pessoal é tudo. A novidade é mostrar que a fonte dessa realização pode vir de qualquer lugar.

brasil paleoproterozóico

Depois do Counter Strike, proíbem o Bully. Juntando isso com as insanas restrições em relação a campanhas eleitorais na internet e chegamos à conclusão de que a Justiça brasileira se recusa a entrar no século XXI. A campanha digital é mais barata que a impressão de santinhos, a colagem de cartazes e a produção de vídeos para a televisão. Ou seja: mais democrática, já que o acesso é mais amplo.

A justificativa oferecida é simples: como a legislação não prevê essas modalidades de campanha, logo estão proibidas. Preguiça ou incompetência?

Sobre os jogos, então, não tem nem como comentar. Pura indigência mental.

April 9, 2008

a glória do homem


Minutemen em ação com The Glory of Men, clássico de Double Nickels on the Dime. Esse D. Boon realmente era o cara.

perfis de amigos imaginários I

Marcelina gosta de ler, e de fato lê muito. Empresta de diversos amigos, mesmo de uns poucos conhecidos do trabalho, e rapidamente devolve, sem discutir seu conteúdo ou dizer se apreciou o que leu. Ela própria, contudo, não possui nenhum volume, com exceção de um. Não sei o título. Cobriu a capa com plástico preto e raramente o deixa fora da bolsa. Por cima de seu ombro, vejo blocos de texto, talvez dois ou três numa página, sem vincos de travessões. Ela percebe minha presença e o fecha. Descarto a hipótese de poesia, embora ela declame um ou outro Drummond, sempre de cabeça e de forma desorganizada, misturando versos de poemas diferentes e criando imagens únicas. Raramente fazem sentido, e ela sorri com maior intensidade à medida que o absurdo é contemplado.

Sem jeito, pergunto do livro. Seu título, seu autor, seu conteúdo. Ela coça o canto dos lábios planos de seriedade com a ponta da unha negra e começa a contar uma história. Aos 15 anos, sua vizinha em Santos, onde morava, disse ter descoberto o Diabo no guarda-roupas. Marcelina, cínica mas curiosa, vai comprovar a informação. Ao abrir o guarda-roupas, vê o Diabo. Diferente de suas expectativas, parece um boneco feito com cinco pedaços de carvão, sem rosto, boca, rabo, olhos, dedos, orelha ou qualquer outro traço que lhe confira fisionomia. Também não carrega um tridente. Move-se lentamente, em gestos que causariam impressão de ameaçadores, não fossem feitos por tocos de carvão. Marcelina esfrega os dedos no Diabo e suja as pontas. Limpa a mão no vestido e pergunta ao Diabo se ele é mau como se costuma ouvir. A amiga responde que não. O toco de carvão acena com um movimento do tronco, como se confirmasse a informação. O aceno demora cerca meio minuto. Contrariando sua natureza, Marcelina aceita a resposta oferecida e faz um pedido ao Diabo. Neste ponto, Marcelina diz que o conteúdo do pedido está diretamente ligado ao livro que carrega, e que não pode revelá-lo. Estica o braço, aperta meu ombro, diz que está atrasada e vai embora.

Dois meses depois, numa mesa de bar na Augusta, exijo a continuação da história. Digo que perdi algumas noites de sono por causa dela. Alguns mistérios, mesmo inexistentes, merecem resolução. Ela diz que o Diabo, vil, mas receoso em ser demasiadamente mau e chamar atenção desnecessária para sua existência terrena em forma de carvão, concedeu-lhe o pedido com pequenas ressalvas. Uma, a de que não revelaria o conteúdo do livro a ninguém. Outra, que nunca possuísse livro algum além daquele.

As condições, inicialmente prosaicas aos olhos de Marcelina, começaram a lhe causar angústia após alguns anos. Lia tudo com pressa, de pé nas livrarias ou bancas de jornal, e amaldiçoava exemplares selados com plástico. Sem poder possuí-los, devorava sem digestão. Citava frases e parágrafos mas não conseguia contextualizar idéias. Discutia com facilidade apenas aspectos de sua vida diária ou experiências pessoais. Era divertida e inteligente, porém. Mantinha o bom humor e sabia ser agradável. Conhecemo-nos num bar da rua Augusta, falando de qualidades de tecidos.

Morre com duas facadas no pescoço ao se recusar a entregar o livro durante um assalto na Praça da República.

April 8, 2008

auto-promoção

Se a busca pela originalidade musical fosse uma longa corrida de obstáculos, o Dillinger Escape Plan estaria ligeiramente à frente, apesar de haver trombado em todas as hastes ao longo do caminho e invadido as pistas alheias, sem cerimônias e pudores. A viagem desse quinteto americano aparentemente é invadir, saquear e estuprar gêneros, incorporando tudo a uma agenda sonora própria e pessoal - o mathcore/metalcore/grindcore com incursões breves e convolutas sobre áreas diversas como o pop, o jazz e a música eletrônica, sempre com sucesso e, diabos, certa classe peculiar. Por essa verve expansionista, tal qual um Império Romano dos riffs e da quebradeira, são considerados o futuro do metal.

Trecho de resenha para o Banana Mecânica sobre o último do Dillinger Escape Plan, Ire Works. Tem mais coisa minha lá também, nos arquivos: Danielson, Gram, Lenine, Mastodon, The Shins, Wilco, Lobão, Elliott Smith e Ecos Falsos. Mas vale uma boa olhada em tudo mais, há muitas boas indicações ali.

April 6, 2008

one man guy

A turnê do Rufus Wainwright no Brasil ganhou site. Simpático, inclusive o esclarecimento de que se trata de uma “solo performance”. Confesso que não me atrai tanto, já que preferia a apresentação completa, com banda, mas pelo menos não está o olho da cara.

buraco negro, nosso nêmesis

Sabe os aceleradores de partículas? Mais especificamente, o Large Hadron Collider, em Genebra, na Suíça, o maior de todos, com 27 quilômetros de extensão? Pois então: há físicos preocupados que seu funcionamento, marcado para o meio do ano, pode eventualmente criar um buraco negro que sugaria a Terra e aniquilaria toda a existência. Boa oportunidade para contrair dívidas de longo prazo.

murderball

Murderball (2005) Seria ridículo relacionar o excelente documentário Murderball (trailer), sobre atletas tetraplégicos da rúgbi de cadeira de rodas, a baboseiras melodramáticas sobre superação humana, mas também não tem como se emocionar. Como diz um dos personagens principais, o jogador Mark Zupan, eles não jogam pelos tapinhas nas costas e pela comiseração alheia, mas para vencer. E isso num esporte violento e e extremamente competitivo.

Entre cenas de rivalidade entre a seleção norte-americana e o treinador Joe Soares, ex-atleta do time e que foi treinar a seleção canadense, o filme mostra detalhes da vida cotidiana dos cadeirantes, mas vai além do arroz-com-feijão das abordagens habituais do assunto. Destaque o lento processo de recuperação de um recém-acidentado que passa pela reabilitação, volta para casa e se interessa pelo esporte. E também para a cena em que descrevem as recorrentes conversas em que mulheres curiosas sobre a capacidade sexual deles lutam para chegar até a pergunta fatídica: “mas ainda funciona… aí embaixo?”

Um filme que alcança a bela e difícil mistura de delicadeza e agressividade. Se há alguma lição a tirar, talvez seja esta: use o que tiver à disposição, da melhor forma possível, pare de reclamar um pouco e faça alguma coisa que preste na vida.

leeeeeroooy mmmmjenkins!

Só agora, uns três anos depois do surgimento do meme, conheci o Leeroy Jenkins, um clássico da internet.

April 2, 2008

não

Aparentemente, o auto-pioramento pode se tornar uma tendência interessante.

contribuição marginal

Como seriado, Heroes não presta. Atuações inconsistentes, trama mal surrupiada de Watchmen, falta de noção de clímax. Mas a trilha, ah, a trilha: chega a redimir o programa quase completamente ao trazer um belíssimo lado B do Wilco, Glad It’s Over (download).