a magia episódica do futebol
Uma diferença fundamental do futebol para grande parte dos outros esportes: a maioria das partidas é entediante pra diabo. E isso é excelente.
Diferente do basquete, por exemplo, em que todas partidas são um espetáculo de indução à dormência pelo seguido virar do placar, o futebol investe na potência do clímax. É como a questão da compressão e da dynamic range na música: cada vez mais, nivelam a experiência e jogam fora a nuance. Sem silêncio não há como apreciar o refrão emotivo e catártico. No futebol, há justamente esse senso de nuance.
A maioria dos jogos não é lá muito digna de nota. Mas quando há um jogo realmente bom, os entusiastas rapidamente o reconhecem como tal. E falam sobre ele, e discutem minúcias, e reproduzem jogadas com as mãos e os pés. O extraordinário se destaca. Resta a nós agradecer pelo jogo de canela e pelo beque pedreiro, nossos instrumentos de calibragem da alegria.





