feijoada completa
O almoço solitário não ajuda o estômago - acabo comendo rápido demais, o pensamento correndo atrás do próprio rabo, o pedaço mal mastigado goela abaixo - mas é um dos melhores momentos para observação das pessoas ao redor. O João Ubaldo Ribeiro diz que adora. Mas gostamos por motivos diferentes, provavelmente. Enquanto ele busca as histórias, eu fico mais interessado nos gestos. As pequenas coisas que separam o homem de um animal sem graça, como o girafa (a vida besta lá em cima).
A forma de organizar o prato, por exemplo. É um dos gestos com mais significado pois mistura tudo: a cultura, a fisiologia, o instinto, a psique (ou desejo). Poucas coisas são tão pessoais. E, ao mesmo tempo, num refeitório ou restaurante, é algo aberto, à mostra. E dá-lhe conversa, piscadela, piada, olhar atravessado por sobre o bife, alface no dente, soluço contido com esforço.
Ah, terráqueos.
- delírio | Time: 12:50 am (UTC+8)





