January 13, 2008

nem sei se nada sei, ou réplica a sócrates

“Bem informado” deixou de ter seu valor como elogio ou qualidade pessoal, posto que é uma condição tão ultrapassada quanto a taquigrafia e a pipoqueira a manivela (a qual ainda persiste unicamente por sua portabilidade, maior que a do microondas). Ninguém mais está bem informado sobre coisa alguma, já que a proporção de informação que se absorve, desde alguns anos atrás, será sempre infinitamente menor do que a totalidade disponível. Uma proporção “boa” de informação seria pelo menos metade, dizem os filósofos.

O que não é a mesma coisa que dizer que estamos mal informados. O mal informado é aquele à beira da morte, vítima da própria ignorância. É o cidadão que acende o cigarro sentado sobre um contêiner de dinamite e sorri. O verdadeiro mal informado mal consegue colocar os pés para fora de casa, visto que sua desinformação já o teria matado no caminho de volta do banheiro. Não somos mal informados, portanto.

Estaríamos apenas informados, então? No limite do necessário? Provavelmente. Como o moleque que pula dentro de uma piscina de bolinhas cheia demais e quase morre sufocado por uma de cor amarela que contém, entre outros dados, detalhes biográficos de Benazir Bhutto e nomes de conhecidos líderes da Al-Qaeda paquistanesa.

1 Comment »

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  1. Eu acumulo inúmeras informações inúteis.

    Comment by Rodrigo — January 17, 2008 @ 4:30 am

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