December 26, 2007

estou farto

No final da tarde, na véspera do natal, o cheiro de carne assada no apartamento domina tudo, apesar de nada estar sendo preparado no fogão. É o aroma conjunto do condomínio em festa, da rua, da cidade. Diabos, de boa parte do mundo. Tudo um banquete único, o maior festival de gula do planeta.

Em réplica a essa constatação, pela primeira vez em anos não comi até passar mal, mas até ficar apenas moderadamente cheio.

December 24, 2007

a título de síntese

No Banana Mecânica, site de música que ajudo a editar, fizemos uma modesta lista com os cinco melhores álbuns nacionais do ano. Claro, melhores dentro da cena que cobrimos - música alternativa (não lembro mais a que…), independente, “independente”, dependente mas gente fina etc.

A lista foi quase idêntica à minha própria, que só substitui Lucy and the Popsonics por Menino Canta Menina, do Instiga, de Campinas. E com menção honrosa para o Los Porongas, banda do Acre.

Pessoalmente, fiquei bastante satisfeito com a safra de bons discos desse ano. Muitas boas estréias, coisas promissoras surgindo. Ano que vem o ritmo deve se manter, com o primeiro do Bazar Pamplona (citação patrocinada pelo Rafael Capanema), o novo do Numismata (vi algumas novas músicas no show, são sensacionais) e, com sorte, um retorno dos Abimonistas.

Na pilha dos álbuns internacionais, não me preocupei em acompanhar os lançamentos, só os artistas queridos de sempre. O Sky Blue Sky, do Wilco, foi o preferido do ano por motivos puramente afetivos. É a melhor banda do mundo e o disco é praticamente perfeito. Gostei bastante do Wincing the Night Away, do Shins, apesar de ainda preferir o Oh, Inverted World. New Moon, do Elliott Smith, foi uma das grandes surpresas - um disco póstumo de sobras de estúdio que não perde em qualidade para o resto da discografia do cara. Coisa fina.

O Neon Bible, do Arcade Fire, não chamou minha atenção quando saiu e só fui ouvi-lo com atenção há uma semana. E é maravilhoso. Assim como All Hour Cymbals, do Yeasayer, grande banda que não conhecia, lembra um pouco o TV on the Radio (ouçam 2080). E o Midlake, de The Trials os Van Occupanther, belo disco do ano passado (ouçam Roscoe).

No mais, passei boa parte do ano chafurdando nas discografias completas do Neil Young e do Tom Waits, dois gênios absolutos, além de ouvir repetidamente o Blood on the Tracks, do Dylan, o meu favorito do homem.

hark!

Só conheci hoje. Muito maravilhoso.

December 8, 2007

expresso para uncanny valley

Em cartaz: Beowulf, segundo sinal (o 1º) de que Robert Zemeckis caminha alegremente para a senilidade. O roteiro de Neil Gaiman e Roger Avary não ajuda, os personagens parecem bonecas de plástico, as cenas de ação são conservadoras e pouco empolgantes - o contrário do que seria de se esperar pela tecnologia tão exaltada por Zemeckis por sua suposta liberdade. Não me entandam mal, não sou contra a tecnologia em si; só espero que a usem quando funcionar.

Quantia desperdiçada: R$ 4,50 e dois passes de metrô.