September 30, 2007

salão oval

O vício reinante é West Wing. Como disse um amigo, devo ser a única pessoa com menos de 45 anos a assistir essa série sobre os bastidores do primeiro escalão da Casa Branca. É uma pena, pois a série tem tudo: atuações memoráveis, tensão, belos insights sobre as engrenagens da política (algumas peças devem ser iguais em todos os países), humor seco e diálogos tão bons que chego a ficar com dor de cabeça. Culpa do criador e principal roteirista, Aaron Sorkin, gênio da raça, o mesmo de Studio 60 on the Sunset Strip - outra ótima série, cancelada prematuramente.

O curioso de West Wing é que se trata de uma utopia de Sorkin: uma administração democrata com um presidente erudito, capaz e honesto; funcionários talentosos e bem-intencionados; uma mídia que, mais freqüentemente do que na realidade, faz perguntas pertinentes. Os erros, crises e escândalos - que acontecem em grande número - são verossímeis, mas nunca (ou até meados da 3ª temporada) deflagrados de má fé. Acho isso bom. Se houvesse traços de incompetência e corrupção nos personagens, imagino, a série seria insuportável. Real demais.

September 26, 2007

olhos azuis

Um modesto desafio de lógica.

the human torch denied a bank loan

Por que William Waack sempre quer pronunciar nomes e palavras estrangeiros de forma mais precisa do que todo o resto do mundo? Há pouco, ao anunciar entrevista com o jornalista Carl Bernstein, não evitou puxar o “sh” em Bernshtein.

AM I RIGHT OR WHAT?

September 24, 2007

dia sem carro 2

Esse Dia Sem Carro, aliás, nunca influenciará gente suficiente para que o volume de automóveis nas ruas diminua. Não adianta apelar ao lado prático das pessoas quando o assunto é carro. Menos ainda a uma suposta consciência ambiental. Todo mundo cresce vendo automóvel como item de status e poder. Alguns até enxergam a metáfora da liberdade naquelas três toneladas de aço e plástico.

Pra mim, o único uso decente dos automóveis em todo século XX foi a cena de perseguição em Operação França.

dia sem carro 1

No Dia Sem Carro, ouvi diversos relatos de pessoas que usaram carro e enfrentaram trânsito. Claro, todos pensaram que não haveria trânsito e saíram de casa com seus veículos. Fiquei satisfeito. Ironia é a única coisa que existe.

September 15, 2007

você reclama do meu apogeu

A melhor apresentação ao vivo da televisão mundial: Neil Young tocando Rockin’ in the Free World no Saturday Night Live, no dia 30 de setembro de 1989.


Esse vídeo é minha droga ultimamente. Nunca falha. E é, de fato, bem histórico.

Young, pelo menos até essa época, sempre evitou aparições na televisão (algo que mudaria na década de 90, quando virou, oficialmente, “lenda do rock” e ícone aparentemente incontestável). Só o fato de ter aceito tocar no SNL já é incomum.

O velhinho ainda teve a manha de aparecer vestido de líder de gangue, com asseclas e tudo mais. O curioso é que essa formação específica - Steve Jordan na bateria, Charley Drayton no baixo e o amigo de longa data Frank ‘Poncho’ Sampedro, do Crazy Horse - só funcionou nessa única apresentação.

Há ainda a música em si. No final dos anos 80, Young saía de uma longa fase de fracassos comerciais e artísticos (trolhas como Trans e Re-ac-tor, em que ele se arriscou com vocoders e música eletrônica) e tinha acabado de perceber que andava funcionando melhor na freqüência da fúria. Rockin’ in the Free World é uma das melhores desse período, ambígua de doer, pseudo-elegia ianque que só um canadense podia fazer.

Essa apresentação no SNL é, de longe, a versão definitiva da música. Até o próprio Young acha isso. Tudo está perfeito: Steve Jordan em combustão, músicos trocando agressões entre si, dois solos completamente inviáveis, Young fugindo da câmera (esta é a versão editada; a transmissão ao vivo teve alguns planos vazios porque Young se mexia demais e saía de quadro), até os erros caem bem. Veja e chore.