June 18, 2007

anaxágoras arranca as unhas de galileu com um alicate e sorri

Só febre e gripe pra dar clareza.

Rejeitados Pelo Diabo é um dos filmes mais humanistas dos últimos anos, apesar de mostrar psicopatas sádicos, policiais violentos e mais imoralidade por frame do que a maioria da produção cinematográfica norte-americana recente.

Na história, os membros remanescentes da família Firefly (apresentada no filme anterior de Rob Zombie, A Casa dos 1000 Cadáveres) saem em fuga da polícia após uma emboscada. No caminho, barbarizam alguns viajantes, matam outros por diversão e acabam fuzilados pela polícia.

Não há por quem torcer no filme, visto que todos são canalhas, de uma forma ou outra. Mas é justamente essa falta de referência de moralidade dentro do filme que obriga o espectador a buscá-la dentro de si.

E mais: ao tornar os assassinos protagonistas e examinar sua dinâmica familiar - eles se amam e se importam uns com os outros, cada um à sua maneira -, mostram que os sádicos e malvados, em toda sua brutalidade, são tão humanos quanto qualquer um. Zombie, também roteirista, descarta a idéia (da qual eu também discordo) de que psicopatas e, de uma forma mais abrangente, a violência sejam elementos “inumanos” ou “monstruosos”. O espectro humano abarca isso tudo também.

Não bastasse essa perspectiva completamente inesperada para um filme de terror supostamente irresponsável (bem, não deixa de ser), traz um dos finais mais absolutamente fenomenais que já vi, com os protagonistas rumando em direção à morte ao som de Free Bird, do Lynyrd Skynyrd.

June 16, 2007

debaixo das ações judiciais dos seus cabelos

A falsa polêmica sobre o livro do Robertão (falsa, na verdade, até a entrada do Paulo Coelho no meio, isso sim lance inesperado e interessante) teve o desfecho adequado: o livro some, fica a fama ao autor, pesquisador competente (não muito mais que isso) e escritor sofrível. Li que agora ele dá aulas-show (!), contando histórias do livro. À la Suassuna. Fora o constrangimento inicial, se deu muito melhor do que qualquer prognóstico.

Só me incomodou o efeito visual, digamos, da cena toda. Pareceu que o autor, com sua excelência, atingiu profundezas abissais da história do Rei e, portanto, incomodou o biografado, mexeu em feridas antigas e obscuríssimas etc. Como sabem os que leram, não é o caso. É puro transtorno financeiro e conceitual por parte do Rei, que lançou uma provocação interessante: se a vida é minha, porque devo deixar outro cara lucrar com ela? Que lucre eu, que posso (ou não) escrever sobre o que vivi, eventualmente. Afinal, o concreto da obra é produção alheia, o autor só transporta os carrinhos e preenche o molde. Hmm.

Pra mim, Robertão mataria a questão de outra forma: convocar a imprensa, dizer, “é, os fatos estão oquei, mas eita livrinho mal escrito, hein? Comprem por seu próprio risco.” Pronto.