December 24, 2006

nanorresenha calcada na dúvida

Vi Os Infiltrados, do Scorsese, e cheguei à conclusão de que o filme tem algo de muito certo e algo de muito errado, as duas coisas convivendo em cada plano, cada cena. Não sei definir ambas. Gostei.

tudo vai mal

Após avançar um terço de Roberto Carlos em Detalhes, do Paulo Cesar de Araújo, algumas impressões:

1 - Um dos livros mais mal editados graficamente que já tive em mãos, considerando a importância do lançamento e o tamanho da editora (a espanhola Planeta). Além do tamanho ser incômodo (21 cm x 28 cm), a opção de diagramação em duas colunas é estranha. Sem contar a capa, de causar sobressaltos e taquicardia de tão medonha;

2 - O cuidado com as fotos é mínimo. Além de poucas e visivelmente mal escolhidas, não têm identificada a data. Para completar o horror, trazem legendas risíveis, como “Roberto Carlos olhando além do horizonte”;

3 - Como obra que se pretende referencial sobre o Roberto Carlos, é triste ver que sonega a discografia do artista. Seria bacana ver uma lista completa de tudo que o cara lançou, das músicas que gravou, de quem compôs qual etc;

4 - Suspeito que o livro foi editado na pressa de aproveitar o final de ano, principalmente por acompanhar o lançamento do novo disco do RC e a exibição do especial de fim de ano. Não traz um índice onomástico, por exemplo, que seria bem útil. Além disso, o texto contém erros de português (p. 127: “Certa vez, Manoel Carlos pediu Cauby Peixoto e Ângela Maria para cantarem…”), repetições e muitos clichês (o “não precisou pedir duas vezes”, em particular, irrita muito);

5 - É até engraçado que RC venha condenar o livro. O autor é claramente partidário do cantor. Mais do que isso, adota um tom mitificador em vários trechos, com banalidades do tipo “E fulano de tal nunca imaginaria que estava diante daquele que se tornaria o maior artista popular da história do país” etc.

6 - Apesar de tudo, é a história do Rei, e Araújo, apesar de narrador de eficiência inconstante, dá conta do recado. Persistirei.