‘o pássaro das plumas de cristal’

Primeiro longa do italiano Dario Argento como diretor, é também o exemplar inaugural do subgênero giallo - thrillers de horror sobre serial killers com tesão por facas reluzentes e peças de couro preto.
Nesta primeira incursão, Argento apenas esboça a estilização extrema e a violência operística em que se transformarão suas cenas de assassinato. Em Suspiria, chega ao patamar do sublime. Aqui, ele ainda está no aquecimento, apesar da força de suas imagens. Poucas vezes o assassinato foi tão carregado de erotismo como nesse filme de Argento.
A história é bastante simples. Sam, um escritor americano, testemunha uma tentativa de assassinato de uma mulher numa galeria de arte, na Itália. Interrogado pela polícia, descobre que o assassino deve ser responsável por outras mortes - e que se tornou um suspeito. Começa então a fazer sua própria investigação sobre os crimes.
O grande cartão de visitas de Argento é a cena da galeria de arte. Num exercício de adorável cinefilia, o protagonista Sam enxerga a tentiva de assassinato através da vitrine transparente da galeria - uma exata representação da tela de cinema. Argento vai ainda mais longe, ao fazer que Sam tente entrar na cena do crime em andamento e fique preso entre as duas lâminas de vidro que separam a galeria da rua. Preciosa lição sobre os limites da relação entre espectador e filme.
Argento prossegue sua divagação cinéfila ao espalhar diversas referências sobre enquadramento sob forma de objetos retangulares que atraem a atenção dos personagens (fotografias, quadros). Pena que esses elementos não tenham sua importância devidamente discutida nos trechos finais. Desde seu primeiro filme, o ponto fraco de Argento está no roteiro. Ainda bem que há muitas compensações.
- cinema | Time: 4:17 am (UTC+8)






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E reclamar de roteiro é coisa de viadinho.
Comment by Guilherme — March 22, 2006 @ 10:43 pm