pecado

Rodrigo Santoro será o rei persa Xerxes na adaptação para o cinema de 300 de Esparta, HQ do Frank Miller. Escolha inesperada, mas que deverá render várias sessões de bronzeamento artificial no cara. Já Gerard Butler como Leônidas, só vendo.
Considerações sobre elenco à parte, estou curioso para ver como Zack Snyder, diretor do maravilhoso remake de Madrugada dos Mortos, vai lidar com esse material. Pretendendo usar a mesma técnica de cenários digitais de Sin City e baseando-se em obra do mesmo autor, meu medo é que o cara caia no mesmo tipo de bobeira em que o Robert Rodriguez caiu, na minha opinião, que é a imbecilizante proposta de “tradução para a tela” do que está nas HQs.
Em Sin City, a idéia realmente funciona em termos visuais, de enquadramento, mas falha horrivelmente quanto ao ritmo. A impressão que tenho é que, tanto na tentativa de espremer em duas horas três tramas diferentes quanto pela falaciosa idéia de transpor fielmente a HQ para o cinema, o andamento das histórias fica rápido demais, entulhado, freneticamente burro. Com meia hora de filme já sentia meu cérebro dormente.
Algo que não acontece nas HQs por uma particularidade do meio: o tempo da história é controlado pelo leitor. O ato de folhear a página na revista obedece à necessidade de quem lê. Claro que essa necessidade parte de um estímulo: o bom autor (e Miller é) sabe lidar com as espectativas do leitor e contrapõe páginas agitadas, cheias de ação narrativa, a outras de contemplação, com painéis de página inteira.
Sin City, a graphic novel, funciona tão bem porque há, entre coisas como o fabuloso clima noir sem tons de cinza e os personagens deliciosamente irreais (elementos presentes no filme), essa equação entre ação e contemplação, que é justamente o que não banaliza as histórias.
Espero que o Zack Wylder deixe de lado essa bobagem do Rodriguez e adapte com boa infidelidade o material do Miller.






A diferença é que em suas cinco edições não acontece quase nada em “300″. Mas continuo achando que é o tipo de material que pede por um tratamento mais clássico.
Comment by Guilherme Gaspar — October 20, 2005 @ 6:12 am
Rodrigo Santoro? Claro, foi uma escolha óbvia. Espero que não se esqueçam de colocar Clodovil como Ephialtes!
Você achou mesmo maravilhoso o remake do Madrugada dos Mortos? Mesmo com zumbis maratonistas? Aquilo me broxou.
Rapaz, em que geração da sua família entraram ciganos?
Comment by Gustavo Caetano — December 4, 2005 @ 1:04 pm
Sim, Gustavo, achei maravilhoso. Quanto aos zumbis, achei que foram uma atualização necessária pro gênero do filme, que é mais AÇÃO do que ZUMBI mesmo. A dosagem dos elementos muda, o que é mais do que bem-vindo. Um remake frame por frame não faz sentido, pra mim.
Não saquei essa dos ciganos :P
Comment by Daniel Lima — December 4, 2005 @ 3:05 pm
Um remake frame por frame não faz sentido, pra mim. Pra mim também não. Mas zumbis corredores e vigorosos não dá …
Não entendeu a do cigano? Quantos endereços teu blog já teve? ^^
Comment by Gustavo Caetano — December 5, 2005 @ 7:16 am
Peraí??? Será que eu li Infidelidade????
Se é pra fazer a adapatação de uma uma obra, o MÍNIMO que se espera é fidelidade. Ou então deixe-a na HQ.
Adapte com boa infidelidade e decepcione milhares de fãs da HQ.
Cada uma.
Comment by Thiago — April 5, 2007 @ 3:08 am