September 29, 2005

level up

No início dos jogos de RPG, a idéia era simular uma realidade de fantasia a partir de regras sociais cotidianas. Hoje em dia, parece que é o contrário. As pessoas continuam adquirindo experiência, mas só faltam contabilizá-la por pontos. Você deve se enquadrar em determinado perfil para ser sistematizado e absorvido com mais facilidade pelo jogo. Deve fazer “contatos”: mais ou menos como naquelas fases dos RPGs em que você tem que falar com todos os personagens da tela porque os programadores decidiram que é esse o gatilho para determinado evento mais relevante. Também possuem habilidades (menos fabulosas do que dotar suas flechas com poder congelante etc). Deve ser esse o futuro: relações cada vez mais mediadas pela tecnologia (e não pelo corpo) e definidas por designers de jogos e sistemas de informação.

September 27, 2005

gritaria

Screaming Gentlemen - \"Dirty Dawns\"

Enquanto ainda discutem se o 4 dos barbudos é ou não é como os álbuns anteriores, minha confusão está completamente depositada sobre Dirty Dawns, segundo disco do Screaming Gentlemen, talvez a maior banda desconhecida do mundo. Nem no Pitchforkmedia, maior paraíso indie da web, esses caras ganham resenhas. Ainda não consegui entender o porquê. Provavelmente pelo fato de serem quase tão avessos a mídia quanto o Dalton Trevisan.

Mudando radicalmente de direção, o Screaming Gentlemen trocou o que eu chamo de infernocore (haha) por um irresistível clima psicodélico. Só que, diferente do Flaming Lips, por exemplo, que usam uma infinidade de instrumentos e sintetizadores nas (maravilhosas) músicas, os caras do SG fazem quase tudo com guitarras e microfonias. É quase como se o Slayer mergulhasse no ácido.

O mais engraçado é que as letras continuam tão boçais como sempre. A faixa que abre o disco, Pigeons, é narrada por um cara que aprisiona pombos para amputar suas patas. Exquisite Hug é sobre um cara solitário que passa cola nas mãos e abraça a si mesmo. Grab my Heart é um épico de nove minutos sobre o dia em que as mãos de todos os seres humanos se desprenderam de seus corpos e invadiram a África. Nada faz sentido, mas é tudo fantástico.

September 26, 2005

ócio & vagabundagem #1

Idéia para uma sitcom: Uma Academia Muito Louca. Quatro docentes de uma faculdade de comunicação social vivem as mais divertidas histórias entre negociações absurdas com alunos relapsos, discussões teóricas sem fim, confusões burocráticas e elaboração de teses de doutorado delirantes.

Idéia para um MMORPG: Brasília On Fire, a experiência máxima em simulação da vida política brasileira. O jogador escolhe uma classe para seu personagem e, como é um jogo corporativista, tenta levar seus companheiros ao poder. Classes previstas: cavaleiro da oligarquia, portador da luz empresarial, paladino sindical, sábio intelectual de esquerda, caçador de dízimos, escudeiro da força estudantil, bardo da mídia, mago do judiciário, espião da ABIN, anão de partidos nanicos, trolls do funcionalismo público, elfos do capital internacional.

Idéia para um talk-show:
diariamente, três convidados especiais entrevistam Jô Soares.


Idéia para um filme: Jackson Antunes vive um pai de família que, após ter sua casa invadida por ladrões, decide fazer justiça com as próprias mãos. Uma mistura de Desejo de Matar com Um Dia de Fúria, só que com mais explosões e diálogos em português.

September 25, 2005

inveja #1



Uma guitarra feita de peças de Lego
. Les Paul preta, muito bom gosto.

Via StumbleUpon.

teólogos não sabem nada sobre minha alma

É maravilhoso como, prestando um pouco de atenção, é possível reconhecer padrões ocultos perdidos no ar (preciso ler o tal livro do William Gibson, aliás).

Em uma longa conversa com uma amiga Bianca, uma das pessoas que mais amo nesse planeta, falamos sobre como é importante termos paixões na vida - seja por outras pessoas como por atividades, artes etc; mais tarde, eu lia o seguinte trecho da entrevista do Henfil:

“Eu acho que o cara tem que ser rico interiormente, gostar de fazer, no mínimo, umas seis ou sete coisas. O cara que diz: ‘Eu me realizo fazendo jornalismo’, pô, esse cara é um pobre, é um cara atrofiado.”

Horas atrás, dou de cara com o artigo sobre o fim da monogamia e um novo paradigma de relações afetivas. Tudo isso parece se ligar pra mim. Não consigo imaginar minha vida restrita a uma só paixão. Cinema, música, literatura, chocolate, HQs, instrumentos musicais, culinária italiana, tecnologia, só pra citar coisas facilmente identificáveis, são assuntos pelos quais sou apaixonado. Um tipo muito particular de poligamia: as diferentes amantes conversam entre si, criam laços de amizade, apaixonam-se mutuamente.

bob esponja

Nas últimas semanas, tenho pensado bastante sobre como vou me informar daqui pra frente. Acho que deve ser um tipo de dúvida que, mais cedo ou mais tarde, vai tomar de assalto a cabeça de boa parte dos usuários de internet, pelo menos. As informações se multiplicam exponencialmente a cada minuto e prefiro não delegar a tarefa de selecioná-las exclusivamente a jornalistas…

Além de já ter aderido ao RSS e ao StumbleUpon, acabo de criar minha conta no Audioscrobbler. E ainda acho pouco. Pelo menos por enquanto. Será que a quantidade de estímulos externos um dia vai superar a capacidade do cérebro de absorvê-los?

September 24, 2005

q&a

Este blog recomenda: As 30 Melhores Entrevistas de Playboy, edição especial de título auto-explicativo. Ainda não li tudo, mas só pela entrevista do Henfil já vale os 29,95 investidos. Conversas longas e interessantes com personagens fantásticos como Marlon Brando, Henry Miller, Tom Jobim, Tim Maia e Mohammed Ali.

dona flor e seus dois maridos

Numa série de artigos da Foreign Policy que discutem conceitos que podem desaparecer nos próximos 35 anos, o que mais me chamou a atenção foi um em que Jacques Attali prevê o fim da monogamia.

“I do not believe that society will return to polygamy. Instead, we will move toward a radically new conception of sentimental and love relationships. Nothing forbids a person from being in love with a few people at the same time. Society rejects this possibility today primarily for economic reasons”

Para ele, o aumento da liberdade individual, o avanço dos métodos contraceptivos e o enfraquecimento da hipocrisia da sociedade revelarão algo que sempre esteve conosco, mas costuma ser combatido: a possibilidade de amar (no sentido romântico, imagino) mais de uma pessoa ao mesmo tempo.

O que me deixou mais fascinado foi como fatores como tecnologia, política e mídia podem contribuir para acabar com um pilar aparentemente sólido da sociedade (branca e ocidental, pelo menos). Fomos orientados desde o berço a encontrar uma pessoa com quem viver o resto da vida. Cada vez mais incapazes disso, o divórcio surgiu como instrumento mais ou menos aceitável de rotatividade nos relacionamentos. Mas até mesmo essa fórmula deve caminhar para o desgaste.

Como serão as canções românticas com o fim da monogamia? Mais longas, talvez.

September 13, 2005

novela da vida real

Teste de Fidelidade

Nada supera o Teste de Fidelidade. João Kléber é o maior gênio da televisão atualmente. Não é à toa que está exportando sua fórmula de sucesso. Deve ser a coisa mais divertida do mundo trabalhar como produtor ou roteirista do seu programa.

Enquanto escrevo, a noiva 19 anos mais nova que o desconfiado noivo está trancada no banheiro da Rede TV! com vergonha por ter sido flagrada dando uns malhos com Oliver, maior ator brasileiro vivo depois do Paulo César Pereio. O noivo esmurra a porta e passa mal.

Antes da imagens do teste, Joao Kléber passava um clipe do GEORGE MICHAEL em dueto com o ELTON JOHN como se os cantores estivessem AO VIVO NO PALCO.

As legendas são 100% honestas: “AS IMAGENS QUE VÃO SER EXIBIDAS AQUI VÃO DEIXAR VOCÊ PARALIZADO”.

Soft porn fake apresentado por um humorista fracassado: não consigo conceber melhor metáfora para o país.

September 12, 2005

METAAAAL

Judas Priest - 09.09.05
Foto: Thiago Padovanni

Eu, um ponto branco em meio ao mar de camisetas negras do Anhembi, vi, com meus olhos verdes carcomidos, Rob Halford surgir no centro de um gigantesco olho vazado de pano e cantar Electric Eye, minha música favorita do Judas Priest.

Sim, estive lá. Cantei quase todas junto.

O metal segue sendo uma coisa enigmática e apaixonante. Se por um lado consegue ultrapassar as fronteiras do ridículo com mais frequência do que qualquer outro gênero, mantém-se um dos mais divertidos. Talvez exatamente por essa oscilação. Até hoje escuto meus discos do Iron Maiden com carinho (apesar de Chemical Wedding, do Bruce Dickinson, continuar melhor do que a maioria das coisas do IM) e mantenho certo interesse pelas novidades.

Mas continuo achando que o metal, ao vivo, ao contrário do que se pensa, é tudo menos pesado. Salvo exceções, claro. O Judas Priest, por acaso, é uma delas.

September 11, 2005

yada

Mudei pra cá saudoso do finado mBlog, casa anterior, muito simpática. Essa aqui usa o sistema WordPress, que não conheço e parece mais hermético do que o já difícil Movable Type. Mas recursos como categorização de posts e afins ainda são tão atraentes…

O honky bach deve permanecer no ar pra que eu volte caso (ou quando) a mamata aqui terminar.